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Gwangbokjeol: o dia em que a luz voltou

Hoje, sábado, 15 de agosto, a Coreia completa 81 anos de um retorno que seu próprio nome já anuncia

Poucos nomes de feriado carregam uma história inteira dentro de si. Gwangbokjeol (광복절) é um deles. Gwang (光) significa luz. Bok (復) significa retorno, restauração. Vale uma nota de precisão aqui: oficialmente, o nome do feriado é grafado apenas em hangul, 광복절, como em qualquer lei ou documento sul-coreano contemporâneo. O hanja que abre este parágrafo não é a forma oficial atual, é a raiz sino-coreana da palavra, útil para entender de onde vem o significado, mas que caiu em desuso na escrita cotidiana desde que a Coreia do Sul adotou o hangul como escrita exclusiva na administração pública. Junte as duas raízes e não sobra espaço para metáfora vaga: é, literalmente, o dia em que a luz voltou.

Para que essa frase tenha peso, é preciso primeiro atravessar a escuridão que ela pressupõe. Não como conceito abstrato, mas como uma sequência de fatos concretos, cada um deles uma ferida específica na experiência coreana daqueles 35 anos.

Antes de tomar a Coreia, o Japão cuidou para que ninguém tivesse como protestar. Em 1905, venceu a Guerra Russo-Japonesa, e naquele mesmo verão garantiu, uma a uma, a aquiescência das grandes potências: em julho, o Memorando Taft-Katsura reconheceu informalmente o predomínio japonês sobre a Coreia em troca do reconhecimento americano sobre as Filipinas; em agosto, a renovação da Aliança Anglo-Japonesa validou a mesma lógica com o Reino Unido; em setembro, o Tratado de Portsmouth, que encerrou a guerra com a Rússia, reconheceu formalmente o interesse político e militar japonês na península. Em pouco mais de dois meses, nenhuma potência mundial capaz de se opor restava para a Coreia recorrer.

Em novembro daquele mesmo 1905, o Japão impôs o Tratado de Eulsa, transformando a Coreia em protetorado. O documento só teve validade porque cinco ministros coreanos o assinaram sob coação, entrando para a história como os “Cinco Traidores de Eulsa” (을사오적): Lee Wan-yong, Lee Geun-taek, Lee Ji-yong, Park Je-sun e Kwon Jung-hyeon. O imperador Gojong recusou-se a assinar.

Cinco anos depois, em 22 de agosto de 1910, veio o golpe final: o Tratado de Anexação foi assinado em sigilo, e o governo japonês adiou deliberadamente sua publicação por uma semana, com medo da reação popular. Só em 29 de agosto o anúncio veio a público. Foi esse o ponto de partida da ocupação colonial: uma soberania inteira anexada, dois meses de diplomacia internacional cuidadosamente amarrada, e uma semana de silêncio forçado antes que o país inteiro soubesse o que havia perdido.

Em 1º de março de 1919, cerca de dois milhões de coreanos saíram às ruas em manifestações pacíficas pela independência, muitos vestidos de branco, gritando “manse” (longa vida à Coreia). Entre eles estava Yu Gwan-sun, uma estudante de 16 anos do colégio Ewha, em Seul, que participou das primeiras marchas na capital.

Quando o governo colonial fechou as escolas para conter o movimento, ela voltou para sua cidade natal, Cheonan, e passou semanas organizando, casa por casa, uma nova manifestação. No dia 1º de abril, ela ajudou a reunir cerca de três mil pessoas na feira de Aunae. Distribuiu bandeiras feitas à mão. A polícia militar japonesa abriu fogo contra a multidão, matando dezenove pessoas, entre elas o pai e a mãe de Yu Gwan-sun. Ela foi presa em seguida.

No julgamento, recusou-se a jurar lealdade ao império japonês, alegando que a corte não tinha nenhuma autoridade legítima para julgá-la. Foi condenada e enviada à prisão de Seodaemun, onde continuou organizando protestos mesmo atrás das grades, o que lhe custou torturas sucessivas. Morreu em 28 de setembro de 1920, aos 17 anos, em consequência dos ferimentos.

As autoridades japonesas inicialmente se recusaram a liberar seu corpo, temendo que o caso se tornasse público. Foi sepultada num cemitério de Itaewon, em Seul, que os japoneses mais tarde destruíram para construir uma base militar, fazendo seus restos desaparecerem. O túmulo erguido em sua homenagem em Cheonan está vazio até hoje.

A resposta japonesa ao levante de 1919 como um todo foi armada: nas semanas seguintes, tropas e polícia colonial mataram milhares de manifestantes desarmados em todo o país. O episódio mais brutal aconteceu em 15 de abril daquele ano, na vila de Jeam-ri: soldados japoneses reuniram cerca de vinte a trinta homens dentro de uma igreja local sob o pretexto de um pedido de desculpas, trancaram as portas, abriram fogo contra eles e incendiaram o prédio para encobrir o massacre. É um dos episódios mais lembrados até hoje da repressão colonial, justamente por concentrar, num único ato, a violência, o engano e a tentativa de apagamento que marcaram o período inteiro.

Entre 1939 e 1940, o governo colonial impôs o sōshi-kaimei, a política que forçava famílias coreanas a abandonar seus sobrenomes tradicionais e adotar nomes de estilo japonês. Mais de 80% das famílias acabaram registrando a mudança, muitas vezes sob coação indireta: sem um nome japonês, o acesso a empregos, escolas e serviços básicos se tornava praticamente impossível. Para uma cultura em que o sobrenome carrega o bon-gwan, a origem do clã e a linha ancestral de uma família, isso não era apenas burocracia, era uma tentativa de cortar as pessoas da própria genealogia.

Em paralelo, o idioma coreano foi sistematicamente retirado da vida pública. A partir de 1938, o coreano deixou de ser matéria obrigatória nas escolas e passou a ser tratado como disciplina eletiva secundária, na prática empurrado para fora das salas de aula. Em agosto de 1940, os dois maiores jornais em língua coreana do país, o Dong-a Ilbo e o Chosun Ilbo, foram fechados por ordem do governo colonial. Uma geração inteira de crianças coreanas cresceu sendo educada oficialmente numa língua que não era a de seus pais, enquanto a própria língua materna se tornava, pouco a pouco, algo que se falava escondido.

Alguns desses fatos por si só já bastariam para explicar por que 15 de agosto pesa tanto no calendário coreano. Juntos, eles formam o quadro completo de uma escuridão que não era metafórica: era administrativa, linguística e, em episódios como o de Jeam-ri, também literalmente fatal.

Em 15 de agosto de 1945, a escuridão se rompeu de uma vez. O Japão anunciou sua rendição incondicional às forças Aliadas, encerrando a Segunda Guerra Mundial e, com ela, a ocupação da Coreia. A luz não voltou aos poucos: voltou como um corte seco entre um antes e um depois, o tipo de virada que uma nação inteira sente no mesmo instante. E a data guarda ainda uma segunda camada de significado, quase poética em sua simetria: exatamente três anos depois, em 15 de agosto de 1948, foi proclamada oficialmente a República da Coreia. A luz que retornou em 1945 não apenas iluminou o que havia sido perdido, ela também deu forma a algo novo. Gwangbokjeol comemora, portanto, dois momentos superpostos no calendário, o fim de uma escuridão e o começo de um Estado.

Hoje, quando as bandeiras Taegeukgi tomarem varandas, fachadas e postes por toda a Coreia, de um jeito que não se repete em nenhuma outra data do ano, vale lembrar que esse gesto simples, hastear um pano colorido, carrega o peso de uma luz que precisou ser reconquistada. Em 2026, com o feriado caindo num sábado, o governo decretou um feriado substituto na segunda-feira seguinte, 17 de agosto, esticando por três dias essa comemoração de algo que, para os coreanos, nunca foi dado como certo.

Para quem acompanha a história da Coreia através das artes marciais, como fazemos aqui, a metáfora da luz que retorna não é só um recurso poético do nome do feriado. É também, em certo sentido, a história do próprio taekwondo no pós-guerra: uma tradição que precisou ser reconstruída, sistematizada e devolvida à identidade nacional depois de décadas em que praticar cultura coreana, em qualquer uma de suas formas, era um ato de resistência silenciosa. A luz que voltou em 1945 é, de muitas maneiras, a mesma luz que permitiu que essa reconstrução acontecesse.

Gwangbokjeol: el día en que la luz volvió

Hoy, sábado 15 de agosto, Corea cumple 81 años de un regreso que su propio nombre ya anuncia

Pocos nombres de festividad cargan una historia entera dentro de sí. Gwangbokjeol (광복절) es uno de ellos. Gwang (光) significa luz. Bok (復) significa retorno, restauración. Vale una nota de precisión aquí: oficialmente, el nombre de la festividad se escribe solo en hangul, 광복절, como en cualquier ley o documento surcoreano contemporáneo. El hanja que abre este párrafo no es la forma oficial actual, es la raíz sino-coreana de la palabra, útil para entender de dónde viene el significado, pero que cayó en desuso en la escritura cotidiana desde que Corea del Sur adoptó el hangul como escritura exclusiva en la administración pública. Junta ambas raíces y no queda espacio para la metáfora vaga: es, literalmente, el día en que la luz volvió.

Para que esa frase tenga peso, primero hay que atravesar la oscuridad que presupone. No como concepto abstracto, sino como una secuencia de hechos concretos, cada uno de ellos una herida específica en la experiencia coreana de aquellos 35 años.

Antes de quedarse con Corea, Japón se aseguró de que nadie pudiera protestar. En 1905, ganó la Guerra Ruso-Japonesa, y ese mismo verano fue asegurando, una a una, la aquiescencia de las grandes potencias: en julio, el Memorando Taft-Katsura reconoció informalmente el predominio japonés sobre Corea a cambio del reconocimiento estadounidense sobre Filipinas; en agosto, la renovación de la Alianza Anglo-Japonesa validó la misma lógica con el Reino Unido; en septiembre, el Tratado de Portsmouth, que puso fin a la guerra con Rusia, reconoció formalmente el interés político y militar japonés en la península. En poco más de dos meses, no quedaba ninguna potencia mundial capaz de oponerse a la que Corea pudiera recurrir.

En noviembre de ese mismo 1905, Japón impuso el Tratado de Eulsa, convirtiendo a Corea en protectorado. El documento solo tuvo validez porque cinco ministros coreanos lo firmaron bajo coacción, entrando en la historia como los “Cinco Traidores de Eulsa” (을사오적): Lee Wan-yong, Lee Geun-taek, Lee Ji-yong, Park Je-sun y Kwon Jung-hyeon. El emperador Gojong se negó a firmarlo.

Cinco años después, el 22 de agosto de 1910, llegó el golpe final: el Tratado de Anexión se firmó en secreto, y el gobierno japonés retrasó deliberadamente su publicación durante una semana, por miedo a la reacción popular. Recién el 29 de agosto se hizo público el anuncio. Ese fue el punto de partida de la ocupación colonial: una soberanía entera anexada, dos meses de diplomacia internacional cuidadosamente atada, y una semana de silencio forzado antes de que todo el país supiera lo que había perdido.

El 1 de marzo de 1919, cerca de dos millones de coreanos salieron a las calles en manifestaciones pacíficas por la independencia, muchos vestidos de blanco, gritando “manse” (larga vida a Corea). Entre ellos estaba Yu Gwan-sun, una estudiante de 16 años del colegio Ewha, en Seúl, que participó de las primeras marchas en la capital.

Cuando el gobierno colonial cerró las escuelas para contener el movimiento, ella volvió a su ciudad natal, Cheonan, y pasó semanas organizando, casa por casa, una nueva manifestación. El 1 de abril, ayudó a reunir a cerca de tres mil personas en el mercado de Aunae. Repartió banderas hechas a mano. La policía militar japonesa abrió fuego contra la multitud, matando a diecinueve personas, entre ellas al padre y a la madre de Yu Gwan-sun. Ella fue detenida de inmediato.

En el juicio, se negó a jurar lealtad al imperio japonés, alegando que el tribunal no tenía ninguna autoridad legítima para juzgarla. Fue condenada y enviada a la prisión de Seodaemun, donde siguió organizando protestas incluso tras las rejas, lo que le costó torturas sucesivas. Murió el 28 de septiembre de 1920, a los 17 años, a causa de las heridas.

Las autoridades japonesas se negaron inicialmente a liberar su cuerpo, temiendo que el caso se hiciera público. Fue sepultada en un cementerio de Itaewon, en Seúl, que los japoneses destruyeron después para construir una base militar, haciendo desaparecer sus restos. La tumba erigida en su honor en Cheonan sigue vacía hasta hoy.

La respuesta japonesa al levantamiento de 1919 en su conjunto fue armada: en las semanas siguientes, tropas y policía colonial mataron a miles de manifestantes desarmados en todo el país. El episodio más brutal ocurrió el 15 de abril de ese año, en la aldea de Jeam-ri: soldados japoneses reunieron a unos veinte o treinta hombres dentro de una iglesia local bajo el pretexto de una disculpa, cerraron las puertas con llave, abrieron fuego contra ellos e incendiaron el edificio para encubrir la masacre. Es uno de los episodios más recordados hasta hoy de la represión colonial, precisamente porque concentra, en un solo acto, la violencia, el engaño y el intento de borramiento que marcaron todo el periodo.

Entre 1939 y 1940, el gobierno colonial impuso el sōshi-kaimei, la política que obligaba a las familias coreanas a abandonar sus apellidos tradicionales y adoptar nombres de estilo japonés. Más del 80% de las familias terminaron registrando el cambio, muchas veces bajo coacción indirecta: sin un nombre japonés, el acceso a empleos, escuelas y servicios básicos se volvía prácticamente imposible. Para una cultura en la que el apellido carga el bon-gwan, el origen del clan y la línea ancestral de una familia, esto no era solo burocracia, era un intento de cortar a las personas de su propia genealogía.

En paralelo, el idioma coreano fue sistemáticamente retirado de la vida pública. A partir de 1938, el coreano dejó de ser materia obligatoria en las escuelas y pasó a tratarse como asignatura electiva secundaria, en la práctica empujado fuera de las aulas. En agosto de 1940, los dos periódicos más grandes en lengua coreana del país, el Dong-a Ilbo y el Chosun Ilbo, fueron cerrados por orden del gobierno colonial. Toda una generación de niños coreanos creció siendo educada oficialmente en una lengua que no era la de sus padres, mientras la propia lengua materna se convertía, poco a poco, en algo que se hablaba a escondidas.

Cualquiera de estos hechos por sí solo bastaría para explicar por qué el 15 de agosto pesa tanto en el calendario coreano. Juntos, forman el cuadro completo de una oscuridad que no era metafórica: era administrativa, lingüística y, en episodios como el de Jeam-ri, también literalmente fatal.

El 15 de agosto de 1945, la oscuridad se rompió de golpe. Japón anunció su rendición incondicional ante las fuerzas Aliadas, poniendo fin a la Segunda Guerra Mundial y, con ella, a la ocupación de Corea. La luz no volvió de a poco: volvió como un corte seco entre un antes y un después, el tipo de vuelco que una nación entera siente en el mismo instante. Y la fecha guarda además una segunda capa de significado, casi poética en su simetría: exactamente tres años después, el 15 de agosto de 1948, fue proclamada oficialmente la República de Corea. La luz que volvió en 1945 no solo iluminó lo que se había perdido, también le dio forma a algo nuevo. Gwangbokjeol conmemora, entonces, dos momentos superpuestos en el calendario, el fin de una oscuridad y el comienzo de un Estado.

Hoy, cuando las banderas Taegeukgi cubran balcones, fachadas y postes por toda Corea, de una manera que no se repite en ninguna otra fecha del año, vale la pena recordar que ese gesto simple, izar una tela de colores, carga el peso de una luz que tuvo que ser reconquistada. En 2026, al caer la festividad en sábado, el gobierno decretó un feriado sustituto para el lunes siguiente, 17 de agosto, extendiendo por tres días esta conmemoración de algo que, para los coreanos, nunca se dio por sentado.

Para quien sigue la historia de Corea a través de las artes marciales, como hacemos aquí, la metáfora de la luz que vuelve no es solo un recurso poético del nombre de la festividad. Es también, en cierto sentido, la historia del propio taekwondo en la posguerra: una tradición que tuvo que ser reconstruida, sistematizada y devuelta a la identidad nacional después de décadas en que practicar cultura coreana, en cualquiera de sus formas, era un acto de resistencia silenciosa. La luz que volvió en 1945 es, de muchas maneras, la misma luz que permitió que esa reconstrucción sucediera.

Gwangbokjeol: The Day the Light Returned

Today, Saturday, August 15, Korea marks 81 years since a return its own name already announces

Few holiday names carry an entire story inside them. Gwangbokjeol (광복절) is one of them. Gwang (光) means light. Bok (復) means return, restoration. A note of precision is worth adding here: officially, the holiday’s name is written only in Hangul, 광복절, as in any contemporary South Korean law or document. The hanja opening this paragraph is not the current official form, it is the word’s Sino-Korean root, useful for understanding where the meaning comes from, but one that fell out of everyday use once South Korea adopted Hangul as the exclusive script in public administration. Put the two roots together and there is no room left for a loose metaphor: it is, literally, the day the light returned.

For that phrase to carry weight, one first has to cross the darkness it presupposes. Not as an abstract concept, but as a sequence of concrete facts, each one a specific wound in the Korean experience of those 35 years.

Before taking Korea, Japan made sure no one would be in a position to protest. In 1905, it won the Russo-Japanese War, and that same summer it secured, one by one, the acquiescence of the great powers: in July, the Taft-Katsura Memorandum informally recognized Japanese dominance over Korea in exchange for American recognition over the Philippines; in August, the renewal of the Anglo-Japanese Alliance validated the same logic with the United Kingdom; in September, the Treaty of Portsmouth, which ended the war with Russia, formally recognized Japan’s political and military interest in the peninsula. In a little over two months, no world power capable of objecting was left for Korea to turn to.

In November of that same 1905, Japan imposed the Eulsa Treaty, turning Korea into a protectorate. The document only carried force because five Korean ministers signed it under coercion, going down in history as the “Five Eulsa Traitors” (을사오적): Lee Wan-yong, Lee Geun-taek, Lee Ji-yong, Park Je-sun, and Kwon Jung-hyeon. Emperor Gojong refused to sign it.

Five years later, on August 22, 1910, came the final blow: the Annexation Treaty was signed in secret, and the Japanese government deliberately delayed its publication for a week, fearing the public’s reaction. Only on August 29 was the announcement made public. That was the starting point of the colonial occupation: an entire sovereignty annexed, two months of international diplomacy carefully tied down, and a week of forced silence before the whole country learned what it had lost.

On March 1, 1919, roughly two million Koreans took to the streets in peaceful demonstrations for independence, many dressed in white, shouting “manse” (long live Korea). Among them was Yu Gwan-sun, a 16-year-old student at Ewha school in Seoul, who took part in the first marches in the capital.

When the colonial government shut down the schools to contain the movement, she returned to her hometown of Cheonan and spent weeks organizing a new demonstration door to door. On April 1, she helped gather roughly three thousand people at Aunae Marketplace. She handed out handmade flags. Japanese military police opened fire on the crowd, killing nineteen people, including Yu Gwan-sun’s father and mother. She was arrested on the spot.

At her trial, she refused to swear loyalty to the Japanese empire, arguing that the court had no legitimate authority to judge her. She was convicted and sent to Seodaemun Prison, where she kept organizing protests even behind bars, which cost her repeated torture. She died on September 28, 1920, at age 17, from her injuries.

Japanese authorities initially refused to release her body, fearing the case would become public. She was buried in a cemetery in Seoul’s Itaewon district, which the Japanese later destroyed to build a military base, causing her remains to disappear. The tomb built in her honor in Cheonan remains empty to this day.

Japan’s response to the 1919 uprising as a whole was armed: in the weeks that followed, colonial troops and police killed thousands of unarmed demonstrators across the country. The most brutal episode took place on April 15 of that year, in the village of Jeam-ri: Japanese soldiers gathered roughly twenty to thirty men inside a local church under the pretext of an apology, locked the doors, opened fire on them, and set the building ablaze to cover up the massacre. It remains one of the most remembered episodes of colonial repression to this day, precisely because it concentrates, in a single act, the violence, the deception, and the attempted erasure that marked the entire period.

Between 1939 and 1940, the colonial government imposed sōshi-kaimei, the policy that forced Korean families to abandon their traditional surnames and adopt Japanese-style names. More than 80 percent of families ended up registering the change, often under indirect coercion: without a Japanese name, access to jobs, schools, and basic services became nearly impossible. For a culture in which the surname carries the bon-gwan, a family’s clan origin and ancestral line, this was not mere bureaucracy, it was an attempt to cut people off from their own genealogy.

At the same time, the Korean language was systematically stripped from public life. Starting in 1938, Korean stopped being a required subject in schools and was reclassified as a secondary elective, in practice pushed out of classrooms. In August 1940, the country’s two largest Korean-language newspapers, Dong-a Ilbo and Chosun Ilbo, were shut down by order of the colonial government. An entire generation of Korean children grew up officially educated in a language that was not their parents’, while their own mother tongue slowly became something spoken in secret.

Any one of these facts alone would be enough to explain why August 15 carries so much weight on the Korean calendar. Together, they form the complete picture of a darkness that was not metaphorical: it was administrative, linguistic, and, in episodes like Jeam-ri, literally fatal as well.

On August 15, 1945, the darkness broke all at once. Japan announced its unconditional surrender to the Allied forces, ending World War II and, with it, the occupation of Korea. The light did not return gradually: it returned as a clean break between a before and an after, the kind of turn an entire nation feels in the same instant. And the date carries a second layer of meaning as well, almost poetic in its symmetry: exactly three years later, on August 15, 1948, the Republic of Korea was officially proclaimed. The light that returned in 1945 did not only illuminate what had been lost, it also gave shape to something new. Gwangbokjeol therefore commemorates two overlapping moments on the calendar, the end of a darkness and the beginning of a state.

Today, when Taegeukgi flags cover balconies, façades, and lampposts across Korea in a way that happens on no other date of the year, it is worth remembering that this simple gesture, raising a piece of colored cloth, carries the weight of a light that had to be won back. In 2026, with the holiday falling on a Saturday, the government designated a substitute holiday for the following Monday, August 17, stretching this commemoration of something Koreans never took for granted into a three-day span.

For those who follow Korean history through martial arts, as we do here, the metaphor of returning light is not just a poetic device built into the holiday’s name. It is also, in a sense, the story of taekwondo itself in the postwar years: a tradition that had to be rebuilt, systematized, and returned to national identity after decades in which practicing any form of Korean culture was an act of quiet resistance. The light that returned in 1945 is, in many ways, the same light that made that reconstruction possible.

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