Série de artigos para entender a vida de G.K. Lee antes da sigla que hoje leva pelo mundo
Há uma figura que atravessa toda a história de G.K. Lee, e ele não a escolheu. Escolheram-no.
Haeng Ung Lee, o primo mais velho, havia deixado a Coreia em 1962, quando o garoto fazia cinco anos e mal o conhecia. Os dois só se aproximaram anos depois, quando Haeng Ung voltou ao país e encontrou um adolescente que já treinava havia algum tempo. Foi esse primo, que o mundo conheceria como Eternal Grand Master H.U. Lee, fundador da American Taekwondo Association, quem lhe disse que ensinar taekwondo era o que ele deveria fazer da vida. Que poderia, por meio daquilo, fazer diferença.
É preciso entender quem eram os mestres daquela geração para medir o peso da frase. Eram homens formados sob os trinta e seis anos de ocupação japonesa, muitos deles, nas palavras do próprio G.K., “nascidos no campo de batalha”. Carregavam uma tristeza que não verbalizavam. Tinham orgulho duro e a convicção, herdada de quem os treinou, de que era preciso sempre vencer. Ensinavam pesado porque a história deles havia sido pesada.
Foi desses homens que o jovem aprendeu. E foi um deles, o primo, quem lhe deu uma direção que ele seguiria por mais de meio século.
Faixa-preta em um país que ainda buscava seu nome
G.K. Lee nasceu em 1957 em Daegu. Começou a treinar ainda na segunda série, e aos doze anos, em 1969, já era faixa-preta em Tang Soo Do. É uma data que costuma passar batida em qualquer biografia rápida, mas que carrega mais peso do que parece.
Em 1969, a Coreia do Sul ainda vivia um processo de unificação de suas escolas de artes marciais que estava longe de terminar. A Korea Taekwondo Association já existia sob esse nome desde 1965, depois de trocar de identidade mais de uma vez ao longo da década, mas boa parte dos kwans continuava ensinando e se anunciando sob nomes antigos, entre eles o Tang Soo Do, o mesmo estilo em que o menino de Daegu tirou sua primeira faixa-preta. O Kukkiwon, que se tornaria a sede mundial do taekwondo, só ficaria pronto em 1972. A World Taekwondo Federation só nasceria em 1973.
Ou seja, quando G.K. Lee sai faixa-preta, ele está literalmente treinando dentro de um país que ainda não havia terminado de decidir como se chamava a própria arte que ele praticava. É por isso que, até hoje, ele nunca declara com precisão de qual kwan saiu. Não é evasiva. É que, naquele momento e naquele lugar, a pergunta talvez nem fizesse tanto sentido quanto faz para quem olha de fora, décadas depois, tentando encaixar uma linhagem única onde havia, na prática, uma transição em curso.
E há uma coincidência que merece registro. 1969 é o mesmo ano em que Haeng Ung Lee funda a American Taekwondo Association, do outro lado do oceano, em Omaha, no Nebraska. No mesmo ano em que o país de origem ainda brigava sobre o nome oficial de sua própria arte marcial, o primo mais velho já exportava essa arte para os Estados Unidos sob uma bandeira nova. É uma das muitas pontas da diáspora coreana daquela década, que levaria, entre tantos outros, o próprio H.U. Lee, e mais tarde o próprio G.K., para o outro lado do mundo.
O telefonema
Entre 1978 e 1981, G.K. serviu ao Exército da Coreia do Sul ensinando taekwondo. Depois lecionou por mais três anos na base do Oitavo Exército americano, em Seul, onde os alunos eram soldados que ficavam apenas um ano no país e treinavam como num curso intensivo, todos os dias, jovens e famintos. Antes porém, em 1974, cruzara o caminho de um missionário batista, Harold G. Gately, que lhe deu uma bolsa, empregou-o por três anos e o incentivou a tentar a vida nos Estados Unidos.
Aos vinte e seis anos, ele atravessou o oceano.
A primeira parada foi Panama City, na Flórida, trabalhando para Soon Ho Lee, irmão de H.U., e continuando a ensinar. Foi ali, em 1984, que conheceu a mulher com quem construiria tudo o que viria depois, Kathy Lee, hoje Grand Master e presidente da GTMA, então também funcionária de Soon Ho.
Eram recém-casados, com poucos meses de união, quando o telefone tocou na escola da Flórida. Quem atendeu foi Kathy. Do outro lado, H.U. Lee. Ele precisava de G.K. em Little Rock, no Arkansas, para desenvolver um programa de armas para a ATA.
“Eu fiquei em choque”, lembra ela. “Sabia que ele estava chamando o melhor homem para aquela função.”
O casal se mudou em 1990. G.K. detestou o lugar de cara. Era quente, plano, sem mar, e ele não sabia o que fazer de si. Só com o tempo, rodando o estado e vendo as montanhas e as árvores, é que se apaixonou pelo Arkansas. Anos mais tarde diria que era grato por tudo o que Little Rock havia dado a ele e à família.
O que ele construiu na ATA não foi pequeno. Criou o programa Protech, de armas tradicionais e defesa pessoal avançada, e tornou-se seu presidente internacional. O primeiro seminário que ministrou nessa área foi de chaves articulares, em Pittsburgh. Antes do Protech, a associação se concentrava em formas e luta. Ele reintroduziu as armas e a defesa, e fazia questão de creditar o gesto ao primo, dizendo que apenas trouxe de volta o que já existia, que a fundação deixada por H.U. era sólida, e que o Eternal Grand Master amava pensar fora da caixa. Com Kathy, chegou a operar sete escolas.
Uma autoridade da espada, e de quase tudo o mais
O currículo que G.K. Lee construiu ao longo de décadas não se resume ao taekwondo. Ele é faixa-preta 9º dan na arte, professor de Brazilian Jiu-Jitsu, mestre em Tai Chi, e um dos nomes historicamente associados à introdução do combate com bastão dentro do taekwondo americano.
Há também um capítulo menos conhecido, e que a própria imprensa do setor já errou ao tentar contar. Materiais institucionais recentes descrevem G.K. Lee como mestre de algo chamado “Mugayeahru Kendo”, um nome que não existe em nenhuma fonte séria de história das artes marciais com espada. A grafia correta é Mugai Ryu, escola tradicional japonesa de esgrima fundada em 1680 por Tsuji Gettan Sukemochi, centrada no iaido, a arte de sacar e desembainhar a espada, e num forte componente de desenvolvimento espiritual. O nome da escola vem de um poema zen que o próprio fundador recebeu de seu mestre budista, “Ippo jitsu mugai”, que pode ser traduzido como “não há nada fora da verdade única”.
É uma ironia que vale registrar. Um release escrito nos Estados Unidos, para divulgar a própria organização de G.K. Lee, erra a grafia de uma tradição de mais de três séculos por simples descuido de romanização. E é essa mesma busca por precisão, por entender de onde vêm as coisas antes de repeti-las, que faltou a quem escreveu aquele texto.
O posto mais alto
H.U. Lee morreu em outubro de 2000. Em 2003 foi elevado a Eternal Grand Master, a posição mais alta da tradição Songahm, palavra que era, antes de mais nada, o apelido pessoal do próprio fundador. Songahm significa o pinheiro e a rocha. O homem batizou a arte com o nome íntimo que os irmãos lhe davam.
A casa que ele ergueu passou de mão em mão entre os Lee. Soon Ho presidiu de 2001 a 2011. Depois veio o irmão mais novo, In Ho, de 2011 a 2019. E então, no ano em que a ATA completava cinquenta anos, chegou a vez do primo.
O processo para chegar lá tem nove etapas e nada nele é apenas simbólico. Inclui jejum durante sessões de treinamento e dias de silêncio absoluto num templo coreano. H.U. havia jejuado vinte e um dias. G.K. escolheu dezoito, por achar vinte e um dias difícil demais. Mestres designados ficaram encarregados de anotar a primeira palavra que ele pronunciaria ao quebrar o silêncio, na mesma pedra escolhida pelo fundador. O que ele disse, ao voltar a falar, não foi nada épico.
“Estou com fome e estou cansado.”
Em julho de 2019, no World Expo, G.K. Lee foi empossado o quarto Presiding Grand Master da ATA. Vestiu o uniforme preto e dourado e calçou, simbolicamente, os sapatos do primo que o havia escolhido ainda adolescente. Seu lema cabia numa frase. “Um guerreiro conquista tudo com autodisciplina.”
A ruptura
O posto mais alto durou pouco. Em 2021, G.K. Lee deixou a ATA para fundar a Global Traditional Martial Arts, a GTMA.
Uma parte importante dessa saída, pouco discutida publicamente, envolve exatamente o programa que ele havia criado décadas antes. As armas em si, o bastão, o nunchaku, a espada, são domínio público, patrimônio de tradições muito mais antigas do que qualquer organização americana. O que era autoral, e portanto foi com ele quando saiu, era a metodologia. As sequências de movimento, sua forma específica de estruturar o aprendizado, os poomses de arma que ele mesmo havia desenhado ao longo de décadas dentro do Protech.
A ATA precisou, depois de 2021, reconstruir essas sequências e metodologias do zero, com uma nova geração de responsáveis por cada arma, mantendo o nome Protech, mas não o conteúdo técnico que G.K. Lee havia autorado. Foi, na prática, uma questão de direitos autorais, e não de disputa pela posse de uma tradição que nunca pertenceu a nenhuma das duas organizações.
A jornada continua
Quando a GTMA nasceu, seus fundadores escolheram um lema que hoje aparece em quase tudo que a organização publica: a jornada continua. Na entrevista de lançamento da organização, a frase é apresentada quase como um mantra de crescimento, do tipo que qualquer marca em expansão gostaria de ter.
Mas para quem já sentiu, por dentro, o que é dedicar anos de lealdade a uma estrutura e depois descobrir que era substituível dentro dela, a frase carrega outro peso. Diferente de continuar crescendo. É, na verdade, continuar depois.
G.K. Lee, num gesto que talvez diga mais sobre ele do que qualquer título ou grau, uma vez se colocou no lugar de alguém que vivia exatamente esse tipo de dor, e disse que sabia o que essa pessoa estava sentindo, porque também havia passado por isso. Não era retórica de liderança. Era reconhecimento, entre duas pessoas que carregam a mesma cicatriz, mesmo estando em posições completamente diferentes.
Talvez seja esse o verdadeiro sentido do lema que a GTMA escolheu para si. Não o de uma empresa que promete não parar de crescer, mas o de um homem que, aos sessenta e poucos anos, precisou recomeçar depois de ver o próprio legado ficar para trás, e decidiu que a única resposta possível era seguir em frente.
A GTMA celebra, em julho de 2026, cinco anos de existência. A comemoração acontece em Little Rock, a mesma cidade para onde G.K. Lee se mudou relutante, décadas atrás, atendendo a um telefonema que mudaria sua vida. A jornada, de fato, continua.
Español latinoamericano
Serie de artículos para entender la vida de G.K. Lee antes de la sigla que hoy lleva por el mundo
Hay una figura que atraviesa toda la historia de G.K. Lee, y él no la eligió. Lo eligieron a él.
Haeng Ung Lee, el primo mayor, había dejado Corea en 1962, cuando el niño tenía cinco años y apenas lo conocía. Los dos se acercaron recién años después, cuando Haeng Ung volvió al país y encontró a un adolescente que ya entrenaba desde hacía tiempo. Fue ese primo, a quien el mundo conocería como Eternal Grand Master H.U. Lee, fundador de la American Taekwondo Association, quien le dijo que enseñar taekwondo era lo que debía hacer con su vida. Que podía, a través de eso, marcar la diferencia.
Hay que entender quiénes eran los maestros de esa generación para medir el peso de la frase. Eran hombres formados bajo los treinta y seis años de ocupación japonesa, muchos de ellos, en palabras del propio G.K., “nacidos en el campo de batalla”. Cargaban una tristeza que no verbalizaban. Tenían un orgullo duro y la convicción, heredada de quienes los entrenaron, de que siempre había que ganar. Enseñaban con dureza porque su historia había sido dura.
Fue de esos hombres que el joven aprendió. Y fue uno de ellos, el primo, quien le dio una dirección que seguiría por más de medio siglo.
Cinturón negro en un país que aún buscaba su nombre
G.K. Lee nació en 1957 en Daegu. Comenzó a entrenar todavía en segundo grado, y a los doce años, en 1969, ya era cinturón negro en Tang Soo Do. Es una fecha que suele pasar desapercibida en cualquier biografía rápida, pero que carga más peso del que parece.
En 1969, Corea del Sur todavía vivía un proceso de unificación de sus escuelas de artes marciales que estaba lejos de terminar. La Korea Taekwondo Association ya existía bajo ese nombre desde 1965, después de cambiar de identidad más de una vez a lo largo de la década, pero buena parte de los kwan seguía enseñando y anunciándose bajo nombres antiguos, entre ellos el Tang Soo Do, el mismo estilo en el que el niño de Daegu obtuvo su primer cinturón negro. El Kukkiwon, que se convertiría en la sede mundial del taekwondo, recién estaría listo en 1972. La World Taekwondo Federation nacería recién en 1973.
Es decir, cuando G.K. Lee obtiene su cinturón negro, está entrenando literalmente dentro de un país que todavía no había terminado de decidir cómo se llamaba el arte que él practicaba. Por eso, hasta hoy, nunca declara con precisión de qué kwan salió. No es evasiva. Es que, en ese momento y en ese lugar, la pregunta quizás ni siquiera tuviera tanto sentido como lo tiene para quien mira desde afuera, décadas después, tratando de encajar un linaje único donde había, en la práctica, una transición en curso.
Y hay una coincidencia que merece quedar registrada. 1969 es el mismo año en que Haeng Ung Lee funda la American Taekwondo Association, del otro lado del océano, en Omaha, Nebraska. En el mismo año en que el país de origen todavía discutía sobre el nombre oficial de su propia arte marcial, el primo mayor ya exportaba ese arte a los Estados Unidos bajo una bandera nueva. Es una de las muchas puntas de la diáspora coreana de aquella década, que llevaría, entre tantos otros, al propio H.U. Lee, y más tarde al propio G.K., al otro lado del mundo.
La llamada
Entre 1978 y 1981, G.K. sirvió en el Ejército de Corea del Sur enseñando taekwondo. Después dio clases por tres años más en la base del Octavo Ejército estadounidense, en Seúl, donde los alumnos eran soldados que permanecían solo un año en el país y entrenaban como en un curso intensivo, todos los días, jóvenes y hambrientos. Antes de eso, sin embargo, en 1974, se había cruzado con un misionero bautista, Harold G. Gately, que le dio una beca, lo empleó durante tres años y lo alentó a probar suerte en los Estados Unidos.
A los veintiséis años, cruzó el océano.
La primera parada fue Panama City, en Florida, trabajando para Soon Ho Lee, hermano de H.U., y continuando con la enseñanza. Fue allí, en 1984, donde conoció a la mujer con quien construiría todo lo que vendría después, Kathy Lee, hoy Grand Master y presidenta de la GTMA, entonces también empleada de Soon Ho.
Eran recién casados, con apenas unos meses de unión, cuando sonó el teléfono en la escuela de Florida. Quien atendió fue Kathy. Del otro lado, H.U. Lee. Necesitaba a G.K. en Little Rock, Arkansas, para desarrollar un programa de armas para la ATA.
“Me quedé en shock”, recuerda ella. “Sabía que estaba llamando al mejor hombre para esa función.”
La pareja se mudó en 1990. A G.K. el lugar le disgustó desde el primer momento. Era caluroso, plano, sin mar, y él no sabía qué hacer consigo mismo. Solo con el tiempo, recorriendo el estado y viendo las montañas y los árboles, se enamoró de Arkansas. Años más tarde diría que estaba agradecido por todo lo que Little Rock le había dado a él y a su familia.
Lo que construyó dentro de la ATA no fue poco. Creó el programa Protech, de armas tradicionales y defensa personal avanzada, y se convirtió en su presidente internacional. El primer seminario que dictó en esa área fue de llaves articulares, en Pittsburgh. Antes del Protech, la asociación se concentraba en formas y combate. Él reintrodujo las armas y la defensa, y siempre se encargaba de atribuir el gesto a su primo, diciendo que solo trajo de vuelta lo que ya existía, que los cimientos dejados por H.U. eran sólidos, y que el Eternal Grand Master amaba pensar fuera de la caja. Junto a Kathy, llegó a operar siete escuelas.
Una autoridad de la espada, y de casi todo lo demás
El currículo que G.K. Lee construyó a lo largo de décadas no se limita al taekwondo. Es cinturón negro 9º dan en el arte, profesor de Brazilian Jiu-Jitsu, maestro de Tai Chi, y uno de los nombres históricamente asociados a la introducción del combate con bastón dentro del taekwondo estadounidense.
Hay también un capítulo menos conocido, y que la propia prensa del sector ya se equivocó al intentar contar. Materiales institucionales recientes describen a G.K. Lee como maestro de algo llamado “Mugayeahru Kendo”, un nombre que no existe en ninguna fuente seria de historia de las artes marciales con espada. La grafía correcta es Mugai Ryu, escuela tradicional japonesa de esgrima fundada en 1680 por Tsuji Gettan Sukemochi, centrada en el iaido, el arte de desenvainar la espada, y con un fuerte componente de desarrollo espiritual. El nombre de la escuela proviene de un poema zen que el propio fundador recibió de su maestro budista, “Ippo jitsu mugai”, que puede traducirse como “no hay nada fuera de la verdad única”.
Es una ironía que vale la pena registrar. Un comunicado escrito en los Estados Unidos, para promocionar la propia organización de G.K. Lee, se equivoca en la grafía de una tradición de más de tres siglos por simple descuido de romanización. Y es esa misma búsqueda de precisión, de entender de dónde vienen las cosas antes de repetirlas, lo que le faltó a quien escribió ese texto.
El cargo más alto
H.U. Lee murió en octubre de 2000. En 2003 fue elevado a Eternal Grand Master, la posición más alta de la tradición Songahm, palabra que era, antes que nada, el apodo personal del propio fundador. Songahm significa el pino y la roca. El hombre bautizó el arte con el nombre íntimo que sus hermanos le daban.
La casa que él levantó pasó de mano en mano entre los Lee. Soon Ho presidió de 2001 a 2011. Después llegó el hermano menor, In Ho, de 2011 a 2019. Y entonces, en el año en que la ATA cumplía cincuenta años, llegó el turno del primo.
El proceso para llegar allí tiene nueve etapas y nada en él es meramente simbólico. Incluye ayuno durante sesiones de entrenamiento y días de silencio absoluto en un templo coreano. H.U. había ayunado veintiún días. G.K. eligió dieciocho, por considerar que veintiún días era demasiado difícil. Maestros designados quedaron encargados de anotar la primera palabra que pronunciaría al romper el silencio, en la misma piedra elegida por el fundador. Lo que dijo, al volver a hablar, no fue nada épico.
“Tengo hambre y estoy cansado.”
En julio de 2019, en el World Expo, G.K. Lee asumió como el cuarto Presiding Grand Master de la ATA. Vistió el uniforme negro y dorado y se calzó, simbólicamente, los zapatos del primo que lo había elegido siendo todavía un adolescente. Su lema cabía en una frase. “Un guerrero conquista todo con autodisciplina.”
La ruptura
El cargo más alto duró poco. En 2021, G.K. Lee dejó la ATA para fundar la Global Traditional Martial Arts, la GTMA.
Una parte importante de esa salida, poco discutida públicamente, tiene que ver exactamente con el programa que él había creado décadas antes. Las armas en sí, el bastón, el nunchaku, la espada, son de dominio público, patrimonio de tradiciones mucho más antiguas que cualquier organización estadounidense. Lo que era autoral, y por lo tanto se fue con él, era la metodología. Las secuencias de movimiento, su forma específica de estructurar el aprendizaje, los poomses de arma que él mismo había diseñado a lo largo de décadas dentro del Protech.
La ATA tuvo que, después de 2021, reconstruir esas secuencias y metodologías desde cero, con una nueva generación de responsables para cada arma, manteniendo el nombre Protech, pero no el contenido técnico que G.K. Lee había creado. Fue, en la práctica, una cuestión de derechos de autor, y no una disputa por la posesión de una tradición que nunca perteneció a ninguna de las dos organizaciones.
El viaje continúa
Cuando nació la GTMA, sus fundadores eligieron un lema que hoy aparece en casi todo lo que la organización publica: el viaje continúa. En la entrevista de lanzamiento de la organización, la frase se presenta casi como un mantra de crecimiento, del tipo que cualquier marca en expansión querría tener.
Pero para quien ya sintió, por dentro, lo que es dedicar años de lealtad a una estructura y después descubrir que era reemplazable dentro de ella, la frase carga otro peso. Distinto de seguir creciendo. Es, en realidad, continuar después.
G.K. Lee, en un gesto que quizás diga más sobre él que cualquier título o grado, una vez se puso en el lugar de alguien que vivía exactamente ese tipo de dolor, y dijo que sabía lo que esa persona estaba sintiendo, porque él también había pasado por eso. No era retórica de liderazgo. Era reconocimiento, entre dos personas que cargan la misma cicatriz, aun estando en posiciones completamente distintas.
Tal vez sea ese el verdadero sentido del lema que la GTMA eligió para sí. No el de una empresa que promete no dejar de crecer, sino el de un hombre que, a sus sesenta y pocos años, tuvo que recomenzar después de ver su propio legado quedar atrás, y decidió que la única respuesta posible era seguir adelante.
La GTMA celebra, en julio de 2026, cinco años de existencia. La celebración se realiza en Little Rock, la misma ciudad a la que G.K. Lee se mudó a regañadientes, décadas atrás, atendiendo una llamada que cambiaría su vida. El viaje, en efecto, continúa.
English
A Series of Articles to Understand the Life of G.K. Lee Before the Acronym He Now Carries Around the World
There is a figure who runs through G.K. Lee’s entire story, and he did not choose him. He was chosen.
Haeng Ung Lee, the older cousin, had left Korea in 1962, when the boy was five years old and barely knew him. The two only grew close years later, when Haeng Ung returned to the country and found a teenager who had already been training for some time. It was this cousin, whom the world would come to know as Eternal Grand Master H.U. Lee, founder of the American Taekwondo Association, who told him that teaching taekwondo was what he should do with his life. That he could, through it, make a difference.
One has to understand who the masters of that generation were to measure the weight of that sentence. They were men shaped by thirty-six years of Japanese occupation, many of them, in G.K.’s own words, “born on the battlefield.” They carried a sadness they never put into words. They had a hard pride and the conviction, inherited from those who trained them, that one always had to win. They taught harshly because their history had been harsh.
It was from these men that the young man learned. And it was one of them, his cousin, who gave him a direction he would follow for more than half a century.
A black belt in a country still searching for its name
G.K. Lee was born in 1957 in Daegu. He began training back in second grade, and at twelve years old, in 1969, he was already a black belt in Tang Soo Do. It is a date that tends to slip by unnoticed in any quick biography, but it carries more weight than it seems.
In 1969, South Korea was still going through a process of unifying its martial arts schools that was far from finished. The Korea Taekwondo Association had existed under that name since 1965, after changing identity more than once over the decade, but many kwans kept teaching and advertising themselves under older names, among them Tang Soo Do, the same style in which the boy from Daegu earned his first black belt. The Kukkiwon, which would become the world headquarters of taekwondo, would not be ready until 1972. The World Taekwondo Federation would not be born until 1973.
In other words, when G.K. Lee earns his black belt, he is literally training inside a country that had not yet finished deciding what to call the very art he practiced. That is why, to this day, he never states precisely which kwan he came from. It is not evasiveness. It is that, at that moment and in that place, the question may not have made as much sense as it does to someone looking in from outside, decades later, trying to fit a single lineage onto what was, in practice, a transition still underway.
And there is a coincidence worth noting. 1969 is the same year Haeng Ung Lee founded the American Taekwondo Association, on the other side of the ocean, in Omaha, Nebraska. In the very year the home country was still arguing over the official name of its own martial art, the older cousin was already exporting that art to the United States under a brand new flag. It is one of the many threads of the Korean diaspora of that decade, which carried, among so many others, H.U. Lee himself, and later G.K. himself, to the other side of the world.
The phone call
Between 1978 and 1981, G.K. served in the South Korean Army teaching taekwondo. He then taught for three more years at the U.S. Eighth Army base in Seoul, where the students were soldiers stationed in the country for only a year, training every day like an intensive course, young and hungry. Before that, however, in 1974, he had crossed paths with a Baptist missionary, Harold G. Gately, who gave him a scholarship, employed him for three years, and encouraged him to try his luck in the United States.
At twenty-six, he crossed the ocean.
The first stop was Panama City, Florida, working for Soon Ho Lee, H.U.’s brother, and still teaching. It was there, in 1984, that he met the woman with whom he would build everything that came after, Kathy Lee, today Grand Master and president of GTMA, then also an employee of Soon Ho.
They were newlyweds, only a few months into their marriage, when the phone rang at the school in Florida. Kathy answered. On the other end, H.U. Lee. He needed G.K. in Little Rock, Arkansas, to develop a weapons program for the ATA.
“I was in shock,” she recalls. “I knew he was calling the best man for that job.”
The couple moved in 1990. G.K. hated the place right away. It was hot, flat, with no ocean, and he did not know what to do with himself. Only with time, driving around the state and seeing the mountains and the trees, did he fall in love with Arkansas. Years later he would say he was grateful for everything Little Rock had given him and his family.
What he built within the ATA was no small thing. He created the Protech program, covering traditional weapons and advanced self-defense, and became its international president. The first seminar he taught in that area was on joint locks, in Pittsburgh. Before Protech, the association focused on forms and sparring. He reintroduced weapons and defense, and always made a point of crediting his cousin, saying he was only bringing back what already existed, that the foundation H.U. had left behind was solid, and that the Eternal Grand Master loved thinking outside the box. Together with Kathy, he came to run seven schools.
An authority on the sword, and almost everything else
The curriculum G.K. Lee built over decades is not limited to taekwondo. He holds a 9th dan black belt in the art, is a Brazilian Jiu-Jitsu professor, a Tai Chi master, and one of the names historically associated with introducing stick sparring into American taekwondo.
There is also a lesser known chapter, one the trade press itself has already gotten wrong. Recent institutional materials describe G.K. Lee as a master of something called “Mugayeahru Kendo,” a name that does not exist in any serious source on the history of sword-based martial arts. The correct spelling is Mugai Ryu, a traditional Japanese fencing school founded in 1680 by Tsuji Gettan Sukemochi, centered on iaido, the art of drawing the sword, with a strong component of spiritual development. The school’s name comes from a Zen poem the founder himself received from his Buddhist teacher, “Ippo jitsu mugai,” which can be translated as “there is nothing outside the one truth.”
It is an irony worth noting. A press release written in the United States, to promote G.K. Lee’s own organization, misspells a tradition more than three centuries old through simple carelessness in romanization. And it is that same pursuit of precision, of understanding where things come from before repeating them, that was missing from whoever wrote that text.
The highest rank
H.U. Lee died in October 2000. In 2003 he was elevated to Eternal Grand Master, the highest position in the Songahm tradition, a word that was, above all, the founder’s own personal nickname. Songahm means the pine and the rock. The man named the art after the intimate nickname his siblings gave him.
The house he built passed from hand to hand among the Lees. Soon Ho presided from 2001 to 2011. Then came the younger brother, In Ho, from 2011 to 2019. And then, in the year the ATA turned fifty, it was the cousin’s turn.
The process to get there has nine stages, and nothing in it is merely symbolic. It includes fasting during training sessions and days of absolute silence at a Korean temple. H.U. had fasted for twenty-one days. G.K. chose eighteen, finding twenty-one too hard. Designated masters were tasked with writing down the first word he would say when he broke his silence, on the same stone chosen by the founder. What he said, when he spoke again, was nothing epic.
“I’m hungry and I’m tired.”
In July 2019, at the World Expo, G.K. Lee was installed as the fourth Presiding Grand Master of the ATA. He wore the black and gold uniform and symbolically stepped into the shoes of the cousin who had chosen him back when he was still a teenager. His motto fit into a single sentence. “A warrior conquers everything through self-discipline.”
The break
The highest rank did not last long. In 2021, G.K. Lee left the ATA to found Global Traditional Martial Arts, GTMA.
An important part of that departure, rarely discussed publicly, has to do with exactly the program he had created decades earlier. The weapons themselves, the staff, the nunchaku, the sword, are public domain, the heritage of traditions far older than any American organization. What was proprietary, and therefore left with him, was the methodology. The movement sequences, his specific way of structuring the learning process, the weapon poomses he himself had designed over decades within Protech.
After 2021, the ATA had to rebuild those sequences and methodologies from scratch, with a new generation of people responsible for each weapon, keeping the Protech name but not the technical content G.K. Lee had authored. It was, in practice, a matter of authorship rights, not a dispute over ownership of a tradition that never belonged to either organization.
The journey continues
When GTMA was born, its founders chose a motto that now appears in almost everything the organization publishes: the journey continues. In the organization’s launch interview, the phrase is presented almost as a growth mantra, the kind any expanding brand would want to have.
But for anyone who has felt, from the inside, what it means to give years of loyalty to a structure and then discover they were replaceable within it, the phrase carries a different weight. Unlike growth, it is, in truth, about continuing afterward.
G.K. Lee, in a gesture that may say more about him than any title or rank, once put himself in the place of someone going through exactly that kind of pain, and said he knew what that person was feeling, because he had been through it too. It was not leadership rhetoric. It was recognition, between two people carrying the same scar, even while standing in completely different positions.
Perhaps that is the real meaning of the motto GTMA chose for itself. Not the meaning of a company promising never to stop growing, but that of a man who, in his sixties, had to start over after watching his own legacy get left behind, and decided the only possible answer was to keep moving forward.
GTMA is celebrating, in July 2026, five years of existence. The celebration is taking place in Little Rock, the same city G.K. Lee reluctantly moved to, decades ago, answering a phone call that would change his life. The journey, indeed, continues.










