Como o colapso financeiro de 1997 humilhou uma nação inteira, uniu o povo em torno de um sacrifício coletivo, e interrompeu até o sonho de Haeng Ung Lee de trazer o Songahm de volta para casa
Eu estudei essa crise nos livros escolares. Mas sabem aquelas coisas que aparecem nos livros e por um tempo são apenas números frios: percentuais de dívida, taxas de juros, bilhões de dólares. Porém os anos posteriores trouxeram o entendimento que aquilo era algo incrustrado na memória afetiva de um povo inteiro, através de filas de bancos, jóias de família derretidas e sonhos pessoais interrompidos sem aviso. A crise financeira asiática de 1997 foi as duas coisas ao mesmo tempo na Coreia do Sul. E, para quem acompanha a história do Taekwondo, ela também foi o momento em que um projeto pessoal de Haeng Ung Lee, o de trazer o Songahm de volta à própria terra que o viu nascer, esbarrou de frente numa economia em colapso.
O milagre que escondia rachaduras
Entre 1970 e 1996, a Coreia do Sul cresceu a uma média de 8,4% ao ano, um ritmo que transformou uma economia agrária pobre numa potência industrial global, ultrapassando os 10 mil dólares de renda per capita. Era o chamado Milagre do Rio Han, sustentado pelo modelo de parceria entre Estado e chaebols que já discutimos em outros artigos desta série.
Só que esse crescimento vertiginoso escondia uma fragilidade estrutural: os grandes conglomerados vinham se endividando pesadamente, apostando na crença disseminada de que o governo nunca deixaria “um grande cavalo morrer”, ou seja, que nenhum conglomerado grande demais seria autorizado a quebrar. Em janeiro de 1997, essa crença começou a ruir: o grupo Hanbo entrou em colapso financeiro. No verão daquele mesmo ano, foi a vez da Kia, uma das maiores montadoras do país, mergulhar em dificuldades severas. Dessa vez, diferente do padrão histórico, o governo se recusou a bancar o resgate, e o efeito dominó ganhou força.
Outubro e novembro de 1997: o mês em que tudo desabou
A crise coreana não nasceu isolada. Fazia parte de um contágio regional que já vinha derrubando a Tailândia, a Indonésia e Hong Kong desde meados daquele ano, alimentado por bancos japoneses centenários que também quebravam sob o peso de créditos podres. Em outubro, o índice Dow Jones despencou 554 pontos em um único dia, o maior tombo até então, refletindo o pânico que atravessava os mercados asiáticos.
O Banco da Coreia tentou segurar o valor do won e falhou. A moeda caiu abaixo da marca psicológica de 1.000 por dólar, mínima histórica até aquele momento. Em 21 de novembro de 1997, data lembrada até hoje como um dos momentos mais traumáticos da história moderna coreana, o governo pediu formalmente socorro ao Fundo Monetário Internacional. Nacionalistas coreanos classificaram o gesto como humilhação nacional, e o presidente Kim Young-sam chegou a pedir desculpas publicamente à população pela crise. Em 3 de dezembro, o FMI aprovou um pacote de resgate de 58 bilhões de dólares, o maior da história até então, reunindo recursos do próprio FMI, do Banco Mundial, do Banco Asiático de Desenvolvimento e de contribuições bilaterais dos países do G7.
As condições vieram duras: juros elevadíssimos para defender a moeda, corte severo de gastos públicos mesmo em plena recessão, e a exigência de reestruturação completa da economia, incluindo dissolução de chaebols endividados, demissões em massa e um regime cambial flutuante.
O ouro do povo: quando a dívida virou causa nacional
Aqui está, talvez, o capítulo mais comovente dessa história, e o que melhor resume o espírito coletivo coreano diante da adversidade. Em janeiro de 1998, nasceu um movimento popular de doação de ouro para ajudar o país a pagar sua dívida externa. A campanha, batizada de “Movimento de Coleta de Ouro”, não foi ideia original daquele momento: ela conscientemente revivia um movimento quase idêntico ocorrido 90 anos antes, ainda no período Joseon tardio, quando coreanos venderam presentes de casamento e largaram vícios para ajudar a nação a escapar da dependência financeira estrangeira.
A iniciativa de 1998 começou com a Associação de Mulheres Saemaul e rapidamente ganhou apoio oficial do governo e cobertura maciça da emissora pública KBS. Famílias inteiras se dirigiam aos bancos carregando anéis de casamento, pulseiras de nascimento dos próprios filhos, medalhas olímpicas conquistadas com sacrifício, insígnias militares de veteranos de guerra, tudo com peso afetivo muito maior do que o valor de mercado do metal. Cerca de 3,5 milhões de pessoas participaram, quase um quarto de todos os lares coreanos da época, reunindo entre 225 e 227 toneladas de ouro, avaliadas em cerca de 2,1 bilhões de dólares.
Em termos puramente financeiros, o gesto cobriu uma fração pequena da dívida total, algo em torno de 3,7% do pacote de resgate do FMI. Mas o impacto simbólico superou de longe o número contábil. A Coreia terminou pagando integralmente sua dívida ao FMI três anos antes do previsto, em agosto de 2001. Vale registrar também o contraponto crítico levantado por analistas: o peso do sacrifício recaiu majoritariamente sobre o cidadão comum, enquanto boa parte das corporações que haviam causado a crise saiu relativamente ilesa, e algumas até se beneficiaram das reformas que se seguiram.
Quando a crise chegou até o tatame: o sonho interrompido de Haeng Ung Lee
Existe um capítulo dessa história pouco conhecido fora dos círculos mais próximos do Taekwondo, e que conecta diretamente esse momento de colapso nacional com a própria genealogia de um dos estilos mais influentes do Taekwondo moderno. Nos anos 1990, Haeng Ung Lee, fundador da ATA e criador do estilo Songahm, nutria um sonho pessoal: trazer seu “filho” mais bem-sucedido de volta para a terra que o viu nascer, estabelecendo o Songahm oficialmente na Coreia do Sul.
Para executar esse projeto, ele confiou a missão ao próprio irmão mais novo, Mal Kun Lee. Em relato direto sobre aquele período, obtido em entrevista durante a pesquisa biográfica sobre Haeng Ung Lee, Mal Kun Lee descreveu aqueles anos como particularmente duros: ele dividia seu tempo entre duas semanas nos Estados Unidos e duas semanas na Coreia, tentando sustentar o projeto à distância. A resistência já era grande antes mesmo da crise financeira: mestres coreanos tradicionais viam o Songahm com desconfiança, classificando-o como comercial demais, americano demais, uma marca que carregava o peso de ter nascido e crescido fora do solo coreano.
Quando a quebradeira de 1997 chegou, essa resistência cultural, já pesada por si só, tornou-se praticamente impossível de vencer. Com o país inteiro mergulhado em austeridade, desemprego em massa e reestruturação forçada, sustentar um projeto de expansão de uma marca estrangeira de Taekwondo deixou de ser viável. O projeto da ATA na Coreia foi suspenso, e nunca foi formalmente retomado.
Hoje, o único vestígio remanescente daquele esforço é uma única escola em Seul, no bairro de Nowon-gu, comandada pelo Mestre Beom Seok Seo, que ensina taekwondo dentro do sistema nacional Kukki, mas ainda carrega, visivelmente, traços da influência ATA/Songahm de sua formação. É um raro fóssil vivo de um projeto que a história econômica interrompeu antes que pudesse florescer.
O que a crise de 1997 realmente encerrou, e o que ela abriu
Esse pequeno episódio dentro do universo do Taekwondo funciona quase como uma metáfora do que a crise de 1997 representou em escala nacional: um momento em que ambições de expansão, tanto de conglomerados quanto de projetos culturais e pessoais, foram brutalmente interrompidas pela realidade econômica. Mas, como veremos no próximo artigo desta série, é exatamente dessa ruptura que nasceria, poucos anos depois, uma das apostas mais ousadas e bem-sucedidas da história recente coreana: transformar cultura em principal produto de exportação do país.
Este artigo integra a série do The Sabunim sobre a formação histórica, política e cultural da Coreia contemporânea.
El año en que Corea quebró, y hasta el Taekwondo sintió el golpe
Cómo el colapso financiero de 1997 humilló a toda una nación, unió al pueblo en torno a un sacrificio colectivo, e interrumpió incluso el sueño de Haeng Ung Lee de traer de vuelta a casa el Songahm
Hay crisis que aparecen en los libros de economía como números fríos: porcentajes de deuda, tasas de interés, miles de millones de dólares. Y hay crisis que se instalan en la memoria afectiva de todo un pueblo, a través de filas de bancos, joyas familiares derretidas y sueños personales interrumpidos sin aviso. La crisis financiera asiática de 1997 fue ambas cosas a la vez en Corea del Sur. Y, para quien sigue la historia del Taekwondo, también fue el momento en que un proyecto personal de Haeng Ung Lee, el de traer el Songahm de vuelta a la propia tierra que lo vio nacer, chocó de frente con una economía en colapso.
El milagro que escondía grietas
Entre 1970 y 1996, Corea del Sur creció a un promedio de 8,4% anual, un ritmo que transformó una economía agraria pobre en una potencia industrial global, superando los 10 mil dólares de renta per cápita. Era el llamado Milagro del Río Han, sostenido por el modelo de asociación entre el Estado y los chaebols que ya discutimos en otros artículos de esta serie.
Pero ese crecimiento vertiginoso escondía una fragilidad estructural: los grandes conglomerados venían endeudándose fuertemente, apostando a la creencia extendida de que el gobierno nunca dejaría morir “a un gran caballo”, es decir, que ningún conglomerado demasiado grande sería autorizado a quebrar. En enero de 1997, esa creencia comenzó a resquebrajarse: el grupo Hanbo entró en colapso financiero. En el verano de ese mismo año, fue el turno de Kia, una de las mayores automotrices del país, de hundirse en dificultades severas. Esta vez, a diferencia del patrón histórico, el gobierno se negó a respaldar el rescate, y el efecto dominó cobró fuerza.
Octubre y noviembre de 1997: el mes en que todo se derrumbó
La crisis coreana no nació aislada. Formaba parte de un contagio regional que ya venía derribando a Tailandia, Indonesia y Hong Kong desde mediados de ese año, alimentado por bancos japoneses centenarios que también quebraban bajo el peso de créditos incobrables. En octubre, el índice Dow Jones se desplomó 554 puntos en un solo día, la mayor caída hasta entonces, reflejando el pánico que atravesaba los mercados asiáticos.
El Banco de Corea intentó sostener el valor del won y fracasó. La moneda cayó por debajo de la marca psicológica de 1.000 por dólar, un mínimo histórico hasta ese momento. El 21 de noviembre de 1997, fecha recordada hasta hoy como uno de los momentos más traumáticos de la historia moderna coreana, el gobierno pidió formalmente auxilio al Fondo Monetario Internacional. Nacionalistas coreanos calificaron el gesto como una humillación nacional, y el presidente Kim Young-sam llegó a pedir disculpas públicamente a la población por la crisis. El 3 de diciembre, el FMI aprobó un paquete de rescate de 58 mil millones de dólares, el mayor de la historia hasta entonces, reuniendo recursos del propio FMI, del Banco Mundial, del Banco Asiático de Desarrollo y de contribuciones bilaterales de los países del G7.
Las condiciones llegaron duras: tasas de interés altísimas para defender la moneda, recorte severo del gasto público incluso en plena recesión, y la exigencia de una reestructuración completa de la economía, incluyendo la disolución de chaebols endeudados, despidos masivos y un régimen cambiario flotante.
El oro del pueblo: cuando la deuda se convirtió en causa nacional
Aquí está, quizás, el capítulo más conmovedor de esta historia, y el que mejor resume el espíritu colectivo coreano frente a la adversidad. En enero de 1998 nació un movimiento popular de donación de oro para ayudar al país a pagar su deuda externa. La campaña, bautizada como “Movimiento de Recolección de Oro”, no fue una idea original de ese momento: revivía conscientemente un movimiento casi idéntico ocurrido 90 años antes, todavía en el período Joseon tardío, cuando los coreanos vendieron regalos de boda y abandonaron vicios para ayudar a la nación a escapar de la dependencia financiera extranjera.
La iniciativa de 1998 comenzó con la Asociación de Mujeres Saemaul y rápidamente ganó apoyo oficial del gobierno y cobertura masiva de la emisora pública KBS. Familias enteras se dirigían a los bancos cargando anillos de boda, pulseras de nacimiento de sus propios hijos, medallas olímpicas conquistadas con sacrificio, insignias militares de veteranos de guerra, todo con un peso afectivo mucho mayor que el valor de mercado del metal. Cerca de 3,5 millones de personas participaron, casi una cuarta parte de todos los hogares coreanos, reuniendo entre 225 y 227 toneladas de oro, valoradas en cerca de 2.100 millones de dólares.
En términos puramente financieros, el gesto cubrió una fracción pequeña de la deuda total, alrededor del 3,7% del paquete de rescate del FMI. Pero el impacto simbólico superó ampliamente el número contable. Corea terminó de pagar íntegramente su deuda con el FMI tres años antes de lo previsto, en agosto de 2001. Vale la pena registrar también el contrapunto crítico que señalan los analistas: el peso del sacrificio recayó mayoritariamente sobre el ciudadano común, mientras que buena parte de las corporaciones que habían causado la crisis salió relativamente ilesa, y algunas incluso se beneficiaron de las reformas que siguieron.
Cuando la crisis llegó hasta el tatami: el sueño interrumpido de Haeng Ung Lee
Existe un capítulo de esta historia poco conocido fuera de los círculos más cercanos al Taekwondo, y que conecta directamente este momento de colapso nacional con la propia genealogía de uno de los estilos más influyentes del Taekwondo moderno. En los años noventa, Haeng Ung Lee, fundador de la ATA y creador del estilo Songahm, alimentaba un sueño personal: traer de vuelta a su “hijo” más exitoso a la tierra que lo vio nacer, estableciendo el Songahm oficialmente en Corea del Sur.
Para ejecutar ese proyecto, confió la misión a su propio hermano menor, Mal Kun Lee. En un relato directo sobre aquel período, obtenido en entrevista durante la investigación biográfica sobre Haeng Ung Lee, Mal Kun Lee describió aquellos años como particularmente duros: dividía su tiempo entre dos semanas en Estados Unidos y dos semanas en Corea, intentando sostener el proyecto a distancia. La resistencia ya era grande incluso antes de la crisis financiera: los maestros coreanos tradicionales veían el Songahm con desconfianza, calificándolo de demasiado comercial, demasiado estadounidense, una marca que cargaba el peso de haber nacido y crecido fuera del suelo coreano.
Cuando llegó la quiebra de 1997, esa resistencia cultural, ya de por sí pesada, se volvió prácticamente imposible de vencer. Con el país entero sumido en austeridad, desempleo masivo y reestructuración forzada, sostener un proyecto de expansión de una marca extranjera de Taekwondo dejó de ser viable. El proyecto de la ATA en Corea fue suspendido, y nunca fue formalmente retomado.
Hoy, el único vestigio remanente de aquel esfuerzo es una única escuela en Seúl, en el barrio de Nowon-gu, dirigida por el Maestro Beom Seok Seo, quien enseña taekwondo dentro del sistema nacional Kukki, pero que todavía carga, de forma visible, rasgos de la influencia ATA/Songahm de su formación. Es un raro fósil vivo de un proyecto que la historia económica interrumpió antes de que pudiera florecer.
Lo que la crisis de 1997 realmente cerró, y lo que abrió
Este pequeño episodio dentro del universo del Taekwondo funciona casi como una metáfora de lo que la crisis de 1997 representó a escala nacional: un momento en que ambiciones de expansión, tanto de conglomerados como de proyectos culturales y personales, fueron brutalmente interrumpidas por la realidad económica. Pero, como veremos en el próximo artículo de esta serie, es exactamente de esa ruptura que nacería, pocos años después, una de las apuestas más audaces y exitosas de la historia reciente coreana: transformar la cultura en el principal producto de exportación del país.
Este artículo forma parte de la serie de The Sabunim sobre la formación histórica, política y cultural de la Corea contemporánea.
The Year Korea Broke, and Even Taekwondo Felt the Blow
How the 1997 financial collapse humiliated an entire nation, united its people around a collective sacrifice, and derailed even Haeng Ung Lee’s dream of bringing Songahm back home
Some crises live in economics textbooks as cold numbers: debt percentages, interest rates, billions of dollars. And some crises settle into the emotional memory of an entire people, through bank lines, melted family heirlooms, and personal dreams interrupted without warning. The 1997 Asian financial crisis was both at once in South Korea. And for anyone following Taekwondo’s history, it was also the moment a personal project of Haeng Ung Lee’s, bringing Songahm back to the very land that birthed it, collided head-on with a collapsing economy.
The Miracle That Hid Cracks
Between 1970 and 1996, South Korea grew at an average of 8.4% per year, a pace that turned a poor agrarian economy into a global industrial power, surpassing $10,000 in per capita income. This was the so-called Miracle on the Han River, sustained by the state-chaebol partnership model already covered elsewhere in this series.
But that dizzying growth concealed a structural fragility: the large conglomerates had been piling on debt, betting on the widespread belief that the government would never let a “big horse die,” meaning no conglomerate deemed too big would ever be allowed to fail. In January 1997, that belief began to crack: the Hanbo Group collapsed financially. That same summer, Kia, one of the country’s largest automakers, sank into severe difficulties. This time, unlike the historical pattern, the government refused to underwrite a bailout, and the domino effect gathered force.
October and November 1997: The Month Everything Fell Apart
Korea’s crisis did not emerge in isolation. It was part of a regional contagion that had already been toppling Thailand, Indonesia, and Hong Kong since mid-year, fueled by century-old Japanese banks also collapsing under bad loans. In October, the Dow Jones plunged 554 points in a single day, its biggest drop up to that point, reflecting the panic sweeping Asian markets.
The Bank of Korea tried to defend the won’s value and failed. The currency fell below the psychological threshold of 1,000 to the dollar, a historic low at the time. On November 21, 1997, a date still remembered as one of the most traumatic moments in modern Korean history, the government formally requested assistance from the International Monetary Fund. Korean nationalists called the move a national humiliation, and President Kim Young-sam publicly apologized to the nation for the crisis. On December 3, the IMF approved a $58 billion rescue package, the largest in history at the time, pooling funds from the IMF itself, the World Bank, the Asian Development Bank, and bilateral contributions from G7 countries.
The conditions were harsh: sky-high interest rates to defend the currency, severe cuts to public spending even amid recession, and a demand for complete economic restructuring, including the breakup of indebted chaebols, mass layoffs, and a floating exchange rate.
The People’s Gold: When Debt Became a National Cause
Here, perhaps, is the most moving chapter of this story, and the one that best captures the Korean collective spirit in the face of adversity. In January 1998, a grassroots movement emerged to donate gold to help the country repay its foreign debt. The campaign, known as the Gold-Collecting Movement, was not an entirely new idea for that moment: it consciously revived an almost identical movement from 90 years earlier, during the late Joseon period, when Koreans sold wedding gifts and gave up vices to help the nation escape foreign financial dependence.
The 1998 initiative began with the Saemaul Women’s Association and quickly gained official government backing and blanket coverage from public broadcaster KBS. Entire families lined up at banks carrying wedding rings, their children’s birth bracelets, hard-won Olympic medals, war veterans’ military insignia, all carrying emotional weight far beyond the metal’s market value. Roughly 3.5 million people took part, nearly a quarter of all Korean households, gathering between 225 and 227 tons of gold, valued at around $2.1 billion.
In purely financial terms, the gesture covered a small fraction of the total debt, roughly 3.7% of the IMF rescue package. But its symbolic impact far outweighed that accounting figure. Korea ended up fully repaying its IMF debt three years ahead of schedule, in August 2001. It’s also worth noting the critical counterpoint raised by analysts: the burden of sacrifice fell mostly on ordinary citizens, while much of the corporate sector that had caused the crisis emerged relatively unscathed, and some even benefited from the reforms that followed.
When the Crisis Reached the Mat: Haeng Ung Lee’s Interrupted Dream
There is a chapter of this story little known outside Taekwondo’s closest circles, one that directly connects this moment of national collapse to the very lineage of one of modern Taekwondo’s most influential styles. In the 1990s, Haeng Ung Lee, founder of the ATA and creator of the Songahm style, nursed a personal dream: bringing his most successful “child” back to the land that gave birth to it, establishing Songahm officially in South Korea.
To carry out that project, he entrusted the mission to his own younger brother, Mal Kun Lee. In a firsthand account of that period, gathered during biographical research on Haeng Ung Lee, Mal Kun Lee described those years as particularly harsh: he split his time between two weeks in the United States and two weeks in Korea, trying to sustain the project from a distance. Resistance was already significant even before the financial crisis: traditional Korean masters viewed Songahm with suspicion, dismissing it as too commercial, too American, a brand carrying the weight of having been born and raised outside Korean soil.
When the 1997 collapse hit, that cultural resistance, already considerable on its own, became nearly impossible to overcome. With the entire country plunged into austerity, mass unemployment, and forced restructuring, sustaining an expansion project for a foreign Taekwondo brand stopped being viable. The ATA’s project in Korea was suspended, and it was never formally resumed.
Today, the only remaining trace of that effort is a single school in Seoul, in the Nowon-gu district, run by Master Beom Seok Seo, who teaches Taekwondo within the national Kukki system, but still visibly carries traces of the ATA/Songahm influence from his training. It stands as a rare living fossil of a project that economic history interrupted before it could fully bloom.
What the 1997 Crisis Really Closed, and What It Opened
This small episode within the Taekwondo world functions almost as a metaphor for what the 1997 crisis meant on a national scale: a moment when expansion ambitions, whether corporate, cultural, or deeply personal, were brutally cut short by economic reality. But as the next article in this series will show, it was precisely out of that rupture that one of modern Korean history’s boldest and most successful bets would be born just a few years later: turning culture into the country’s leading export.
This article is part of The Sabunim’s series on the historical, political, and cultural formation of contemporary Korea.










