Como o atentado contra Park Chung-hee em 1974 se encaixa no projeto de nação que também transformou o Taekwondo em símbolo oficial da Coreia.
Há datas que carregam mais de um significado ao mesmo tempo. 15 de agosto é, para os sul-coreanos, o Dia da Libertação, o feriado que marca o fim de 35 anos de ocupação colonial japonesa. Mas em 1974, essa data também se tornou sinônimo de tragédia. Durante a cerimônia oficial no Teatro Nacional, em Seul, um atentado contra o presidente Park Chung-hee terminou matando a primeira-dama, Yuk Young-soo, bem diante dos olhos da nação.
O caso, à primeira vista, parece só mais um episódio violento de uma Guerra Fria que dividia a península coreana em duas trincheiras. Mas olhado com atenção, ele se revela como uma porta de entrada para entender algo maior: o momento em que a Coreia do Sul, sob mão de ferro, decidiu reescrever a própria identidade nacional, do texto constitucional até a forma como o Taekwondo seria contado ao mundo.
O dia em que os tiros erraram o alvo
Por volta das 10h23, enquanto Park discursava sobre a possibilidade de reunificação pacífica entre as duas Coreias, um disparo cortou o ar do teatro. O autor era Mun Se-gwang, um coreano nascido e criado no Japão, simpatizante do regime norte-coreano. Segundo o relato oficial, ele teria recebido treinamento e ordens durante uma viagem a bordo de um navio ligado a uma organização pró-Pyongyang no Japão.
O que aconteceu depois é o detalhe mais perturbador do episódio, e também o menos contado. O primeiro tiro de Mun contra Park errou o alvo. Um dos guarda-costas do presidente reagiu e trocou tiros com o atirador, mas também errou, e a bala acabou atingindo Yuk Young-soo, sentada nas primeiras filas. Um terceiro disparo, ricocheteado de uma parede, matou Jang Bong-hwa, uma estudante de 18 anos que integrava o coral que se apresentaria na cerimônia. Park Chung-hee, o alvo original, saiu ileso e retomou o discurso pouco depois.
Ou seja: o presidente que era o alvo sobreviveu sem um arranhão. Quem morreu foram duas mulheres atingidas por balas que não eram destinadas a elas, uma vinda do próprio atirador, outra da segurança que deveria proteger o chefe de Estado.
Yuk Young-soo, o contraponto humano de um regime duro
Diferente do marido, figura profundamente polarizadora na história coreana, Yuk Young-soo era vista com quase unanimidade como uma figura de afeto público. Dedicou boa parte de sua atuação como primeira-dama a causas sociais, com foco em bem-estar infantil, educação e capacitação profissional de mulheres, criando inclusive fundações voltadas para crianças com deficiência. No instante do ataque, testemunhas relatam que ela se moveu para proteger a filha, Park Geun-hye, que décadas depois se tornaria presidente da Coreia do Sul.
Sua morte gerou um funeral de Estado que durou cinco dias e uniu, ainda que momentaneamente, apoiadores e opositores do governo Park em um luto compartilhado. É um raro momento de coesão nacional dentro de uma década marcada por repressão e divisão.
O ano de 1974 não foi só o ano de um atentado
Aqui está o ponto que talvez mais interesse quem pratica Taekwondo hoje: 1974 não foi apenas o ano da morte de Yuk Young-soo. Foi também o ano em que a Korea Taekwondo Association finalmente conseguiu consolidar as antigas kwans, escolas até então rivais e fragmentadas, em nove grupos principais, extinguindo formalmente a ideia de kwans como entidades separadas. O objetivo era apresentar o Taekwondo como uma origem única e unificada, um só corpo técnico e simbólico.
Essa centralização não nasceu isolada. Ela é parte do mesmo movimento que, em outubro de 1972, havia imposto ao país uma nova Constituição sob o nome de Yushin, palavra que passou a designar toda a segunda metade do governo Park Chung-hee. Sob o Yushin, o presidente concentrou poderes executivos, legislativos e judiciais nas próprias mãos, extinguiu a eleição direta e passou a governar por decretos de emergência, apoiado por uma polícia secreta poderosa, a KCIA.
Pesquisadores que estudam o período descrevem o Yushin como um momento de mobilização total da sociedade coreana, em que cultura, esporte, educação e identidade nacional foram tratados como instrumentos de um mesmo projeto de Estado. Não foi só repressão política. Foi também, paralelamente, uma produção intensa de símbolos nacionais, do cinema à arquitetura, passando pelas artes marciais.
O Taekwondo como projeto de Estado, não acidente histórico
Já em 1971, um ano antes da imposição do Yushin, o próprio Park Chung-hee havia cunhado o termo gukgi taekwondo, algo como “taekwondo, esporte nacional”. Em 1972, foi inaugurado o Kukkiwon, sede mundial do Taekwondo em Seul, colocado sob supervisão direta do que hoje corresponde ao Ministério da Cultura, Esporte e Turismo. O Kukkiwon se tornaria, nas décadas seguintes, símbolo maior da identidade nacional sul-coreana ligada ao esporte.
E há um detalhe incômodo, mas necessário de mencionar: pesquisadores que estudam a história do Taekwondo apontam que foi justamente nos anos 1970 que a narrativa de origem da modalidade passou por uma reformulação deliberada, enfatizando raízes puramente indígenas coreanas e suprimindo a influência histórica do karatê japonês na formação técnica das primeiras kwans do pós-guerra. Essa reescrita não foi acidental. Ela respondeu a demandas políticas explícitas do regime, que precisava de um símbolo nacional livre de qualquer ligação com o antigo colonizador japonês.
Isso não diminui o valor técnico, filosófico ou pedagógico do Taekwondo que praticamos hoje. Mas entender esse contexto nos ajuda a separar duas coisas: a arte marcial em si, com sua disciplina, seus valores e sua história real, e a narrativa oficial construída sobre ela num momento muito específico da história coreana, sob um regime que usava a identidade nacional como ferramenta de legitimação.
Um fio que ainda não terminou
O atentado de 1974 também deixou uma marca direta na trajetória política que levaria, cinco anos depois, ao próprio assassinato de Park Chung-hee. Após a morte de Yuk, a segurança presidencial ganhou peso ainda maior nas mãos de Cha Ji-chul, cuja rivalidade interna com o diretor da KCIA, Kim Jae-gyu, culminaria no atentado que tiraria a vida do próprio Park em 1979, fechando o ciclo do regime Yushin exatamente como havia começado, sob violência política.
Para quem pratica Taekwondo hoje, entender esse pano de fundo não é exercício de curiosidade histórica vazia. É reconhecer que a modalidade nasceu, foi organizada e foi apresentada ao mundo dentro de um momento específico de construção forçada de identidade nacional, com todas as tensões, contradições e violências que isso envolveu. Conhecer essa história completa é parte do respeito que devemos à arte que praticamos.
Este artigo integra a série do The Sabunim sobre a formação histórica e política do Taekwondo moderno.
El disparo que mató a la primera dama y el país que reescribía su propia identidad
Cómo el atentado contra Park Chung-hee en 1974 encaja en el proyecto de nación que también convirtió al Taekwondo en símbolo oficial de Corea
Hay fechas que cargan más de un significado a la vez. El 15 de agosto es, para los surcoreanos, el Día de la Liberación, el feriado que marca el fin de 35 años de ocupación colonial japonesa. Pero en 1974, esa fecha también se convirtió en sinónimo de tragedia. Durante la ceremonia oficial en el Teatro Nacional, en Seúl, un atentado contra el presidente Park Chung-hee terminó matando a la primera dama, Yuk Young-soo, ante los ojos de toda la nación.
El caso, a primera vista, parece solo un episodio violento más de una Guerra Fría que dividía la península coreana en dos trincheras. Pero visto con atención, se revela como una puerta de entrada para entender algo mayor: el momento en que Corea del Sur, bajo mano de hierro, decidió reescribir su propia identidad nacional, desde el texto constitucional hasta la forma en que el Taekwondo sería contado al mundo.
El día en que los disparos fallaron el blanco
Cerca de las 10:23 de la mañana, mientras Park hablaba sobre la posibilidad de una reunificación pacífica entre las dos Coreas, un disparo cortó el aire del teatro. El autor fue Mun Se-gwang, un coreano nacido y criado en Japón, simpatizante del régimen norcoreano. Según el relato oficial, habría recibido entrenamiento y órdenes durante un viaje a bordo de un barco vinculado a una organización pro Pyongyang en Japón.
Lo que ocurrió después es el detalle más perturbador del episodio, y también el menos contado. El primer disparo de Mun contra Park falló el blanco. Uno de los guardaespaldas del presidente reaccionó e intercambió disparos con el atacante, pero también falló, y la bala terminó impactando a Yuk Young-soo, sentada en las primeras filas. Un tercer disparo, que rebotó en una pared, mató a Jang Bong-hwa, una estudiante de 18 años que formaba parte del coro que se presentaría en la ceremonia. Park Chung-hee, el blanco original, salió ileso y retomó el discurso poco después.
En otras palabras: el presidente que era el objetivo sobrevivió sin un rasguño. Quienes murieron fueron dos mujeres alcanzadas por balas que no iban dirigidas a ellas, una proveniente del propio atacante, otra de la seguridad que debía proteger al jefe de Estado.
Yuk Young-soo, el contrapunto humano de un régimen duro
A diferencia de su esposo, figura profundamente polarizante en la historia coreana, Yuk Young-soo era vista con casi unanimidad como una figura de afecto público. Dedicó buena parte de su labor como primera dama a causas sociales, con foco en el bienestar infantil, la educación y la capacitación profesional de mujeres, creando incluso fundaciones orientadas a niños con discapacidad. En el instante del ataque, testigos relatan que ella se movió para proteger a su hija, Park Geun-hye, quien décadas después se convertiría en presidenta de Corea del Sur.
Su muerte generó un funeral de Estado que duró cinco días y unió, aunque fuera momentáneamente, a partidarios y opositores del gobierno de Park en un duelo compartido. Es un raro momento de cohesión nacional dentro de una década marcada por la represión y la división.
El año 1974 no fue solo sobre un atentado
Aquí está el punto que quizás más interese a quien practica Taekwondo hoy: 1974 no fue solamente el año de la muerte de Yuk Young-soo. Fue también el año en que la Korea Taekwondo Association finalmente logró consolidar las antiguas kwans, escuelas hasta entonces rivales y fragmentadas, en nueve grupos principales, extinguiendo formalmente la idea de las kwans como entidades separadas. El objetivo era presentar al Taekwondo como un origen único y unificado, un solo cuerpo técnico y simbólico.
Esa centralización no nació de forma aislada. Es parte del mismo movimiento que, en octubre de 1972, había impuesto al país una nueva Constitución bajo el nombre de Yushin, palabra que pasó a designar toda la segunda mitad del gobierno de Park Chung-hee. Bajo el Yushin, el presidente concentró poderes ejecutivos, legislativos y judiciales en sus propias manos, eliminó la elección directa y pasó a gobernar mediante decretos de emergencia, respaldado por una poderosa policía secreta, la KCIA.
Los investigadores que estudian el período describen el Yushin como un momento de movilización total de la sociedad coreana, en el que cultura, deporte, educación e identidad nacional fueron tratados como instrumentos de un mismo proyecto de Estado. No fue solo represión política. Fue también, en paralelo, una producción intensa de símbolos nacionales, desde el cine hasta la arquitectura, pasando por las artes marciales.
El Taekwondo como proyecto de Estado, no accidente histórico
Ya en 1971, un año antes de la imposición del Yushin, el propio Park Chung-hee había acuñado el término gukgi taekwondo, algo así como “taekwondo, deporte nacional”. En 1972 se inauguró el Kukkiwon, sede mundial del Taekwondo en Seúl, puesto bajo supervisión directa de lo que hoy corresponde al Ministerio de Cultura, Deporte y Turismo. El Kukkiwon se convertiría, en las décadas siguientes, en el mayor símbolo de la identidad nacional surcoreana ligada al deporte.
Y hay un detalle incómodo, pero necesario de mencionar: los investigadores que estudian la historia del Taekwondo señalan que fue precisamente en los años setenta cuando la narrativa de origen de la disciplina pasó por una reformulación deliberada, enfatizando raíces puramente indígenas coreanas y suprimiendo la influencia histórica del karate japonés en la formación técnica de las primeras kwans de la posguerra. Esa reescritura no fue accidental. Respondió a demandas políticas explícitas del régimen, que necesitaba un símbolo nacional libre de cualquier vínculo con el antiguo colonizador japonés.
Esto no disminuye el valor técnico, filosófico o pedagógico del Taekwondo que practicamos hoy. Pero entender ese contexto nos ayuda a separar dos cosas: el arte marcial en sí, con su disciplina, sus valores y su historia real, y la narrativa oficial construida sobre ella en un momento muy específico de la historia coreana, bajo un régimen que usaba la identidad nacional como herramienta de legitimación.
Un hilo que aún no termina
El atentado de 1974 también dejó una marca directa en la trayectoria política que llevaría, cinco años después, al propio asesinato de Park Chung-hee. Tras la muerte de Yuk, la seguridad presidencial ganó aún más peso en manos de Cha Ji-chul, cuya rivalidad interna con el director de la KCIA, Kim Jae-gyu, culminaría en el atentado que le quitaría la vida al propio Park en 1979, cerrando el ciclo del régimen Yushin exactamente como había comenzado, bajo violencia política.
Para quien practica Taekwondo hoy, entender este trasfondo no es un ejercicio de curiosidad histórica vacía. Es reconocer que la disciplina nació, fue organizada y fue presentada al mundo dentro de un momento específico de construcción forzada de identidad nacional, con todas las tensiones, contradicciones y violencias que eso implicó. Conocer esta historia completa es parte del respeto que debemos al arte que practicamos.
Este artículo forma parte de la serie de The Sabunim sobre la formación histórica y política del Taekwondo moderno.
The Shot That Killed the First Lady, and a Nation Rewriting Its Own Identity
How the 1974 attack on Park Chung-hee fits into the nation-building project that also turned Taekwondo into an official symbol of Korea
Some dates carry more than one meaning at once. August 15 is, for South Koreans, Liberation Day, the holiday marking the end of 35 years of Japanese colonial occupation. But in 1974, that date also became synonymous with tragedy. During the official ceremony at the National Theater in Seoul, an assassination attempt against President Park Chung-hee ended up killing the first lady, Yuk Young-soo, in front of the entire nation.
At first glance, the case looks like just another violent episode of a Cold War splitting the Korean peninsula into two trenches. Looked at closely, though, it opens a door into something larger: the moment when South Korea, under an iron hand, set out to rewrite its own national identity, from the constitutional text all the way to how Taekwondo would be told to the world.
The Day the Shots Missed Their Target
At around 10:23 a.m., as Park was speaking about the possibility of a peaceful reunification between the two Koreas, a gunshot cut through the theater. The attacker was Mun Se-gwang, an ethnic Korean born and raised in Japan, sympathetic to the North Korean regime. According to the official account, he had received training and orders during a trip aboard a ship linked to a pro-Pyongyang organization in Japan.
What happened next is the most unsettling detail of the episode, and also the least told. Mun’s first shot at Park missed. One of the president’s bodyguards reacted and exchanged fire with the attacker, but also missed, and the bullet ended up striking Yuk Young-soo, seated in the front rows. A third shot, ricocheting off a wall, killed Jang Bong-hwa, an 18-year-old student who was part of the choir set to perform at the ceremony. Park Chung-hee, the original target, walked away unharmed and resumed his speech shortly after.
In other words: the president who was the target survived without a scratch. The ones who died were two women hit by bullets never meant for them, one from the attacker himself, the other from the security detail meant to protect the head of state.
Yuk Young-soo, the Human Counterpoint to a Harsh Regime
Unlike her husband, a deeply polarizing figure in Korean history, Yuk Young-soo was seen with near unanimity as a figure of public affection. She dedicated much of her work as first lady to social causes, focusing on child welfare, education, and vocational training for women, even founding organizations aimed at children with disabilities. In the instant of the attack, witnesses recall her moving to shield her daughter, Park Geun-hye, who decades later would become president of South Korea herself.
Her death led to a five-day state funeral that united, even if only briefly, supporters and opponents of the Park government in shared mourning. It stands as a rare moment of national cohesion within a decade otherwise marked by repression and division.
1974 Was Not Only About an Assassination Attempt
Here is the point that may matter most to anyone practicing Taekwondo today: 1974 was not only the year Yuk Young-soo died. It was also the year the Korea Taekwondo Association finally managed to consolidate the old kwans, previously rival and fragmented schools, into nine major groups, formally dissolving the notion of kwans as separate entities. The goal was to present Taekwondo as a single, unified origin, one technical and symbolic body.
That centralization did not happen in isolation. It is part of the same movement that, in October 1972, had imposed a new constitution on the country under the name Yushin, a word that came to define the entire second half of the Park Chung-hee government. Under Yushin, the president concentrated executive, legislative, and judicial power in his own hands, abolished direct elections, and ruled through emergency decrees, backed by a powerful secret police, the KCIA.
Scholars who study the period describe Yushin as a moment of total mobilization of Korean society, in which culture, sport, education, and national identity were all treated as instruments of a single state project. It was not only political repression. It was also, in parallel, an intense production of national symbols, spanning film, architecture, and the martial arts.
Taekwondo as a State Project, Not a Historical Accident
Already in 1971, a year before Yushin was imposed, Park Chung-hee himself coined the term gukgi taekwondo, roughly “taekwondo, the national sport.” In 1972, the Kukkiwon, Taekwondo’s world headquarters in Seoul, was inaugurated, placed under the direct oversight of what is now the Ministry of Culture, Sports and Tourism. In the decades that followed, the Kukkiwon would become the foremost symbol of South Korean national identity tied to sport.
And there is an uncomfortable but necessary detail here: researchers studying Taekwondo’s history point out that it was precisely in the 1970s that the discipline’s origin narrative underwent a deliberate reformulation, emphasizing purely indigenous Korean roots while suppressing the historical influence of Japanese karate on the technical formation of the early postwar kwans. That rewriting was not accidental. It answered explicit political demands from a regime that needed a national symbol free of any connection to the former Japanese colonizer.
None of this diminishes the technical, philosophical, or pedagogical value of the Taekwondo we practice today. But understanding this context helps separate two things: the martial art itself, with its discipline, its values, and its real history, and the official narrative built around it at a very specific moment in Korean history, under a regime that used national identity as a tool of legitimacy.
A Thread That Has Not Fully Closed
The 1974 assassination attempt also left a direct mark on the political trajectory that would lead, five years later, to Park Chung-hee’s own assassination. After Yuk’s death, presidential security gained even greater weight in the hands of Cha Ji-chul, whose internal rivalry with KCIA director Kim Jae-gyu would culminate in the attack that took Park’s own life in 1979, closing the Yushin regime’s cycle exactly as it had begun, in political violence.
For those who practice Taekwondo today, understanding this background is not an exercise in empty historical curiosity. It means recognizing that the discipline was born, organized, and presented to the world within a specific moment of forced national identity-building, with all the tensions, contradictions, and violence that entailed. Knowing this full history is part of the respect we owe the art we practice.
This article is part of The Sabunim’s series on the historical and political formation of modern Taekwondo.










