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O Estado que ensinou a Coreia a não ter filhos, e depois implorou o contrário

Décadas antes de Seul conquistar o mundo com K-dramas, K-pop e K-beauty, o mesmo Estado já havia dominado a arte de reprogramar o comportamento de uma nação inteira, começando pelo corpo das mulheres coreanas

Quando pensamos na Coreia do Sul de hoje, pensamos em K-pop, K-drama, K-beauty, Samsung, Hyundai. Uma máquina cultural e industrial que parece ter nascido pronta, quase da noite para o dia. Mas essa capacidade de mobilizar toda uma população em torno de um objetivo definido pelo Estado não nasceu com o Hallyu. Ela foi ensaiada décadas antes, num terreno bem mais íntimo e bem menos glamouroso: o corpo e a vida reprodutiva das famílias coreanas.

Entre os anos 1960 e 1980, o governo sul-coreano conduziu uma das campanhas de controle populacional mais bem-sucedidas do século 20. E entender como ela funcionou, com que ferramentas, que linguagem e que grau de envolvimento estatal, ajuda a explicar algo maior: a Coreia contemporânea não improvisou sua capacidade de engenharia cultural em massa. Ela já vinha treinando esse músculo havia muito tempo.

O ponto de partida: pobreza como justificativa de Estado

Em 1961, logo após a ascensão de Park Chung-hee ao poder, o governo incorporou um programa de planejamento familiar como parte do seu Primeiro Plano Quinquenal de Desenvolvimento Econômico. A lógica oficial era direta: o país enfrentava pressão populacional altíssima combinada com pobreza extrema, e menos bocas para alimentar significava, supostamente, mais chance de desenvolvimento.

Os números ajudam a entender a urgência sentida pelo Estado. Nos anos 1960, a taxa de fertilidade total da Coreia do Sul superava 6 filhos por mulher. O slogan de 1961 que abriu a campanha já cravava o tom que marcaria décadas seguintes: “ter filhos ao acaso torna difícil escapar da pobreza.”

Vencer uma crença popular exigiu uma máquina de comunicação

Aqui está o ponto mais revelador para quem quer entender a Coreia de hoje: o governo não conseguiu simplesmente decretar a mudança de comportamento. Teve que construir, do zero, uma verdadeira operação de comunicação de massa para vencer uma crença cultural profundamente arraigada, a de que ter muitos filhos trazia boa sorte, e que cada criança chegava ao mundo trazendo consigo seu próprio sustento.

Para reverter essa mentalidade, o Estado trabalhou lado a lado com a Planned Parenthood Federation of Korea (PPFK), chegando a criar um departamento de relações públicas dedicado, em 1970, só para popularizar a contracepção junto à população. A campanha passou a usar rádio, televisão, jornais, revistas e materiais educativos próprios, numa operação de mídia coordenada que hoje reconheceríamos facilmente como marketing de massa. Houve até concursos populares de cartazes, músicas e slogans, e espaço para relatos pessoais de mães e esposas sobre suas próprias experiências com contracepção, uma estratégia de conteúdo gerado por usuário, décadas antes desse termo existir.

Os cartazes e os slogans que marcaram gerações

A campanha evoluiu com o tempo, quase como uma identidade de marca sendo refinada década a década:

Em 1965, um cartaz oficial trazia uma representante do planejamento familiar apontando para um DIU, com a mensagem “tenha o número certo de filhos e os crie bem”. Nos anos 1970, o slogan de referência nacional passou a ser “dê à luz apenas dois filhos, sejam meninos ou meninas”. Já nos anos 1980, o discurso oficial endureceu ainda mais, com peças de campanha reforçando a ideia de que “dois já é demais”.

Esse tipo de evolução de mensagem, testada, ajustada e reforçada ano após ano através de múltiplos canais, é exatamente a mesma lógica de construção de percepção pública que décadas depois seria aplicada à exportação cultural coreana.

Quando a persuasão não bastou, entraram os incentivos e as penalidades

A campanha não dependia só de convencimento. Tinha peso fiscal real. Famílias com três filhos ou mais precisavam pagar um imposto residencial extra, além de taxas adicionais no seguro de saúde nacional. Ao mesmo tempo, o acesso a procedimentos de aborto e esterilização em clínicas de planejamento familiar foi amplamente facilitado.

Vale registrar um detalhe desconfortável, mas necessário: o peso da política recaiu quase inteiramente sobre o corpo das mulheres. Para cada dez inserções de DIU realizadas no país, apenas uma vasectomia era feita, um desequilíbrio que expõe quem, na prática, arcou com o ônus físico dessa engenharia populacional. E aqui, não temos nenhuma originalidade coreana, o mundo tem este hábito de pesar a mão sobre as mulheres.

Uma política que não nasceu sozinha, nasceu em rede

Esse não foi um experimento isolado da Coreia. O modelo de Estado forte associado a planejamento familiar forte, adotado pelo governo Park no início dos anos 1960, seguia um padrão regional compartilhado por outras nações do Leste e Sudeste Asiático, como Taiwan, Japão e Cingapura, todas em plena Guerra Fria e todas recebendo apoio técnico e financeiro internacional, incluindo agências como a USAID, para importar tecnologia contraceptiva e adotar recomendações de controle de natalidade.

Ou seja: a Coreia do Sul, ainda nos anos 1960, já demonstrava a capacidade de se conectar a redes internacionais de conhecimento e financiamento para executar um projeto de transformação social em escala nacional. É a mesma habilidade diplomática e institucional que décadas depois seria usada para negociar coproduções de cinema, parcerias com Hollywood e a globalização do entretenimento coreano.

O sucesso foi tão grande que virou o problema oposto

Os números confirmam a eficácia da campanha: a taxa de fertilidade total caiu para 2,8 nos anos 1980 e para 1,6 nos anos 1990, sendo citada internacionalmente como um dos exemplos mais bem-sucedidos de controle populacional do século passado.

O problema é que o Estado continuou girando a mesma engrenagem por tempo demais. Em 2002, o Instituto Nacional de Pensões alertou que o fundo de aposentadorias seria esgotado devido ao encolhimento da população em idade ativa frente ao número de aposentados. Em 2005, a taxa de fertilidade atingiu o menor patamar já registrado globalmente até então, 1,08 filho por mulher.

A resposta do governo foi, literalmente, inverter a máquina que ele mesmo havia construído décadas antes. Ainda em 2005, promulgou a Lei-Quadro sobre Baixa Taxa de Natalidade numa Sociedade Envelhecida, mirando agora solteiros e casais recém-casados, num esforço de estimular exatamente o que antes havia sido tão eficientemente desencorajado.

O fio que liga o cartaz do DIU ao photocard do K-pop

Se você chegou até aqui pensando no Taekwondo, na Kukkiwon, no Hallyu ou nos chaebols que hoje dominam a economia global do entretenimento, a conexão já deve estar clara. O que a campanha de planejamento familiar revela não é só um capítulo triste ou curioso da história coreana. É a prova documentada de que o Estado sul-coreano, desde muito cedo, dominou uma habilidade rara: mobilizar mídia, dinheiro, ciência e comportamento popular em torno de um objetivo nacional definido de cima para baixo, e sustentar essa mobilização por décadas, ajustando a mensagem conforme o cenário mudava.

O que hoje chamamos de soft power coreano, a capacidade de fazer o mundo inteiro dançar, comer, vestir e assistir Coreia, não nasceu pronta nos anos 2000. Ela foi ensaiada, com sucesso brutal e consequências profundas, no controle mais íntimo possível: quantos filhos uma família coreana deveria ter, e por quê.

Este artigo integra a série do The Sabunim sobre a formação histórica, política e cultural da Coreia contemporânea.

El Estado que le enseñó a Corea a no tener hijos, y después imploró lo contrario

Décadas antes de que Seúl conquistara al mundo con los K-dramas, el K-pop y el K-beauty, ese mismo Estado ya dominaba el arte de reprogramar el comportamiento de toda una nación, comenzando por el cuerpo de las mujeres coreanas

Cuando pensamos en la Corea del Sur de hoy, pensamos en K-pop, K-drama, K-beauty, Samsung, Hyundai. Una maquinaria cultural e industrial que parece haber nacido lista, casi de la noche a la mañana. Pero esa capacidad de movilizar a toda una población en torno a un objetivo definido por el Estado no nació con el Hallyu. Fue ensayada décadas antes, en un terreno mucho más íntimo y mucho menos glamoroso: el cuerpo y la vida reproductiva de las familias coreanas.

Entre los años sesenta y ochenta, el gobierno surcoreano llevó adelante una de las campañas de control poblacional más exitosas del siglo XX. Y entender cómo funcionó, con qué herramientas, qué lenguaje y qué grado de involucramiento estatal, ayuda a explicar algo mayor: la Corea contemporánea no improvisó su capacidad de ingeniería cultural masiva. Llevaba mucho tiempo entrenando ese músculo.

El punto de partida: la pobreza como justificación de Estado

En 1961, poco después de la llegada de Park Chung-hee al poder, el gobierno incorporó un programa de planificación familiar como parte de su Primer Plan Quinquenal de Desarrollo Económico. La lógica oficial era directa: el país enfrentaba una presión poblacional altísima combinada con pobreza extrema, y menos bocas que alimentar significaba, supuestamente, más posibilidades de desarrollo.

Las cifras ayudan a entender la urgencia sentida por el Estado. En los años sesenta, la tasa de fecundidad total de Corea del Sur superaba los 6 hijos por mujer. El eslogan de 1961 que abrió la campaña ya marcaba el tono que definiría las décadas siguientes: “tener hijos al azar dificulta escapar de la pobreza.”

Vencer una creencia popular exigió una máquina de comunicación

Aquí está el punto más revelador para quien quiera entender la Corea de hoy: el gobierno no pudo simplemente decretar el cambio de comportamiento. Tuvo que construir, desde cero, una verdadera operación de comunicación masiva para vencer una creencia cultural profundamente arraigada, la de que tener muchos hijos traía buena suerte, y que cada niño llegaba al mundo trayendo consigo su propio sustento.

Para revertir esa mentalidad, el Estado trabajó de la mano con la Planned Parenthood Federation of Korea (PPFK), llegando a crear un departamento de relaciones públicas dedicado, en 1970, solo para popularizar la anticoncepción entre la población. La campaña pasó a usar radio, televisión, periódicos, revistas y materiales educativos propios, en una operación de medios coordinada que hoy reconoceríamos fácilmente como marketing masivo. Hubo incluso concursos populares de carteles, canciones y eslóganes, y espacio para relatos personales de madres y esposas sobre sus propias experiencias con la anticoncepción, una estrategia de contenido generado por usuarios, décadas antes de que ese término existiera.

Los carteles y los eslóganes que marcaron generaciones

La campaña evolucionó con el tiempo, casi como una identidad de marca refinándose década tras década:

En 1965, un cartel oficial mostraba a una representante de planificación familiar señalando un DIU, con el mensaje “ten el número correcto de hijos y críalos bien”. En los años setenta, el eslogan nacional de referencia pasó a ser “da a luz solo a dos hijos, sean niños o niñas”. Ya en los años ochenta, el discurso oficial se endureció aún más, con piezas de campaña reforzando la idea de que “dos ya es demasiado”.

Ese tipo de evolución de mensaje, probado, ajustado y reforzado año tras año a través de múltiples canales, es exactamente la misma lógica de construcción de percepción pública que décadas después se aplicaría a la exportación cultural coreana.

Cuando la persuasión no bastó, entraron los incentivos y las penalidades

La campaña no dependía solo del convencimiento. Tenía peso fiscal real. Las familias con tres hijos o más debían pagar un impuesto residencial extra, además de tasas adicionales en el seguro de salud nacional. Al mismo tiempo, el acceso a procedimientos de aborto y esterilización en clínicas de planificación familiar fue ampliamente facilitado.

Vale registrar un detalle incómodo, pero necesario: el peso de la política recayó casi por completo sobre el cuerpo de las mujeres. Por cada diez inserciones de DIU realizadas en el país, apenas se hacía una vasectomía, un desequilibrio que expone quién, en la práctica, cargó con el peso físico de esta ingeniería poblacional.

Una política que no nació sola, nació en red

Este no fue un experimento aislado de Corea. El modelo de Estado fuerte asociado a planificación familiar fuerte, adoptado por el gobierno de Park a comienzos de los años sesenta, seguía un patrón regional compartido por otras naciones del Este y Sudeste asiático, como Taiwán, Japón y Singapur, todas en plena Guerra Fría y todas recibiendo apoyo técnico y financiero internacional, incluyendo agencias como USAID, para importar tecnología anticonceptiva y adoptar recomendaciones de control de natalidad.

En otras palabras: Corea del Sur, ya en los años sesenta, demostraba la capacidad de conectarse con redes internacionales de conocimiento y financiamiento para ejecutar un proyecto de transformación social a escala nacional. Es la misma habilidad diplomática e institucional que décadas después se usaría para negociar coproducciones cinematográficas, alianzas con Hollywood y la globalización del entretenimiento coreano.

El éxito fue tan grande que se convirtió en el problema opuesto

Las cifras confirman la eficacia de la campaña: la tasa de fecundidad total cayó a 2,8 en los años ochenta y a 1,6 en los años noventa, siendo citada internacionalmente como uno de los ejemplos más exitosos de control poblacional del siglo pasado.

El problema es que el Estado siguió girando el mismo engranaje por demasiado tiempo. En 2002, el Instituto Nacional de Pensiones advirtió que el fondo de jubilaciones se agotaría debido a la reducción de la población en edad activa frente al número de jubilados. En 2005, la tasa de fecundidad alcanzó el nivel más bajo jamás registrado a nivel global hasta entonces, 1,08 hijos por mujer.

La respuesta del gobierno fue, literalmente, invertir la máquina que él mismo había construido décadas antes. Ese mismo 2005, promulgó la Ley Marco sobre Baja Tasa de Natalidad en una Sociedad Envejecida, apuntando ahora a solteros y parejas recién casadas, en un esfuerzo por estimular exactamente lo que antes había sido tan eficientemente desalentado.

El hilo que conecta el cartel del DIU con el photocard del K-pop

Si llegaste hasta aquí pensando en el Taekwondo, en el Kukkiwon, en el Hallyu o en los chaebols que hoy dominan la economía global del entretenimiento, la conexión ya debería estar clara. Lo que la campaña de planificación familiar revela no es solo un capítulo triste o curioso de la historia coreana. Es la prueba documentada de que el Estado surcoreano, desde muy temprano, dominó una habilidad poco común: movilizar medios, dinero, ciencia y comportamiento popular en torno a un objetivo nacional definido desde arriba, y sostener esa movilización durante décadas, ajustando el mensaje a medida que cambiaba el escenario.

Lo que hoy llamamos soft power coreano, la capacidad de hacer que el mundo entero baile, coma, se vista y mire Corea, no nació listo en los años 2000. Fue ensayado, con un éxito brutal y consecuencias profundas, en el control más íntimo posible: cuántos hijos debía tener una familia coreana, y por qué.

Este artículo forma parte de la serie de The Sabunim sobre la formación histórica, política y cultural de la Corea contemporánea.

The State That Taught Korea Not to Have Children, Then Begged for the Opposite

Decades before Seoul conquered the world with K-dramas, K-pop, and K-beauty, the same state had already mastered the art of reprogramming an entire nation’s behavior, starting with the bodies of Korean women

When we think of South Korea today, we think of K-pop, K-drama, K-beauty, Samsung, Hyundai. A cultural and industrial machine that seems to have been born fully formed, almost overnight. But that ability to mobilize an entire population around a state-defined goal did not begin with Hallyu. It was rehearsed decades earlier, on far more intimate and far less glamorous ground: the bodies and reproductive lives of Korean families.

Between the 1960s and 1980s, the South Korean government ran one of the most successful population control campaigns of the 20th century. Understanding how it worked, with what tools, what language, and what degree of state involvement, helps explain something larger: contemporary Korea did not improvise its capacity for mass cultural engineering. It had been training that muscle for a long time.

The Starting Point: Poverty as State Justification

In 1961, shortly after Park Chung-hee rose to power, the government folded a family planning program into its First Five-Year Economic Development Plan. The official logic was straightforward: the country faced enormous population pressure combined with extreme poverty, and fewer mouths to feed supposedly meant a better shot at development.

The numbers help explain the urgency the state felt. In the 1960s, South Korea’s total fertility rate stood above 6 children per woman. The 1961 slogan that opened the campaign already set the tone that would define the decades to follow: “having children at random makes it hard to escape poverty.”

Overcoming a Popular Belief Required a Communications Machine

Here is the most revealing point for anyone trying to understand Korea today: the government could not simply decree behavioral change. It had to build, from scratch, a genuine mass communications operation to overcome a deeply rooted cultural belief, the idea that having many children brought good luck, and that every child arrived in the world carrying its own means of survival.

To reverse that mindset, the state worked closely with the Planned Parenthood Federation of Korea (PPFK), even establishing a dedicated public relations department in 1970 solely to popularize contraception among the population. The campaign increasingly relied on radio, television, newspapers, magazines, and its own educational materials, a coordinated media operation that today we would readily recognize as mass marketing. There were even popular contests for posters, songs, and slogans, plus space for personal accounts from mothers and wives about their own experiences with contraception, a user-generated content strategy decades before that term existed.

The Posters and Slogans That Marked Generations

The campaign evolved over time, almost like a brand identity being refined decade by decade:

In 1965, an official poster showed a family planning representative pointing to an IUD, with the message “have the proper number of children and raise them well.” In the 1970s, the national reference slogan became “give birth to only two children, regardless of sons or daughters.” By the 1980s, the official message had hardened further, with campaign materials reinforcing the idea that “two is already too many.”

That kind of message evolution, tested, adjusted, and reinforced year after year across multiple channels, is exactly the same logic of public-perception building that would later be applied to Korea’s cultural exports.

When Persuasion Was Not Enough, Incentives and Penalties Stepped In

The campaign did not rely on persuasion alone. It carried real fiscal weight. Families with three or more children had to pay an extra residence tax, on top of additional national health insurance fees. At the same time, access to abortion and sterilization procedures at family planning clinics was widely facilitated.

One uncomfortable but necessary detail is worth noting: the burden of the policy fell almost entirely on women’s bodies. For every ten IUD insertions performed in the country, only one vasectomy was carried out, an imbalance that exposes who, in practice, bore the physical cost of this population engineering.

A Policy That Did Not Emerge Alone, It Emerged Within a Network

This was not an isolated Korean experiment. The strong-state, strong-family-planning model adopted by the Park government in the early 1960s followed a regional pattern shared by other East and Southeast Asian nations, including Taiwan, Japan, and Singapore, all in the thick of the Cold War and all receiving international technical and financial support, including agencies like USAID, to import contraceptive technology and adopt birth control recommendations.

In other words: South Korea, as early as the 1960s, was already demonstrating the ability to plug into international networks of knowledge and funding to carry out a nationwide social transformation project. That is the same diplomatic and institutional skill that decades later would be used to negotiate film co-productions, Hollywood partnerships, and the globalization of Korean entertainment.

The Campaign Succeeded So Well It Became the Opposite Problem

The numbers confirm the campaign’s effectiveness: the total fertility rate fell to 2.8 in the 1980s and to 1.6 in the 1990s, cited internationally as one of the most successful examples of population control in the last century.

The problem is that the state kept turning the same crank for too long. In 2002, the National Pension Institute warned that the pension fund would soon be depleted because of the shrinking working-age population relative to the number of retirees. By 2005, the fertility rate had hit what was then a historic global low, 1.08 children per woman.

The government’s response was, literally, to reverse the very machine it had built decades earlier. That same year, 2005, it enacted the Framework Act on Low Birth Rate in an Aging Society, now targeting singles and newlywed couples, in an effort to encourage exactly what it had once so efficiently discouraged.

The Thread That Connects the IUD Poster to the K-Pop Photocard

If you have followed this far while thinking of Taekwondo, the Kukkiwon, Hallyu, or the chaebols that now dominate the global entertainment economy, the connection should already be clear. What the family planning campaign reveals is not just a sad or curious chapter of Korean history. It is documented proof that the South Korean state, from a very early stage, mastered a rare skill: mobilizing media, money, science, and popular behavior around a nationally defined, top-down goal, and sustaining that mobilization for decades, adjusting its message as circumstances changed.

What we now call Korean soft power, the ability to make the whole world dance, eat, dress, and watch Korea, was not born fully formed in the 2000s. It was rehearsed, with brutal success and deep consequences, in the most intimate form of control imaginable: how many children a Korean family should have, and why.

This article is part of The Sabunim’s series on the historical, political, and cultural formation of contemporary Korea.

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